Arquivo para ‘Designers’

fevereiro 7, 2013

Colega designer, envie seu projeto!

por thaís serafini

Sumir do próprio blog é coisa feia, eu sei. A frase que ouvi de uma grande amiga hoje acabou me trazendo de volta aqui para tentar superar o perfeccionismo e a falta de tempo que me mantinham afastada: “Melhor feito do que perfeito“. Acredito ainda (mais) na importância e no poder do Design, portanto, a ideia é retomar o ritmo de posts e de falação por aqui.

Pra coincidir bem com o retorno, compartilho uma iniciativa bem legal que conheci hoje. Os móveis da Oppa não são mais exatamente uma novidade mas só agora fui conhecer um pouquinho melhor a empresa.

Tem coisas bonitas, coloridas e capazes de deixar qualquer espaço bem mais bonito e funcional – na imagem abaixo, a linha desenvolvida com a Neon, marca brasileiríssima que adoro também – mas a parte do “Como trabalhamos” merece o destaque (por hoje, pelo menos).

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Oppa design

Colegas designers, a Oppa não só se apresenta como “uma equipe apaixonada pelo smart design” (o que por si só já seria admirável) mas nos convida a enviar projetos! A equipe do Estúdio Oppa seleciona os projetos e os torna realidade, produzindo e vendendo no site com royalties e perfil do autor junto ao produto. Lindo, né? Tenho curiosidade pra conhecer projetos enviados ou designers que já tenham sido selecionados pra então saber do processo todo. Que essa ideia sirva de modelo porque estamos precisando!

Captura de tela 2013-02-06 às 21.43.03

 

setembro 11, 2012

Para pensar no futuro com Emily Piloton em Salvador

por thaís serafini

“Sejamos sinceros, designers, nós precisamos nos reinventar. Precisamos nos re-educar em torno de coisas que importam, precisamos trabalhar mais fora da nossa zona de conforto e precisamos ser cidadãos melhores nos nossos quintais.”

A autora desta frase está entre os principais motivos que me levam a Salvador na próxima semana para a Conferência Internacional Design para vida. Antes de apresentar esta designer revolucionária, vale lembrar que o evento está com as últimas inscrições abertas e oferece descontos para grupos e alunos – além da super oportunidade de discutir o design na prática com gente qualificada e interessada.

Emily Piloton é uma designer americana que não conseguia entender como é que produzir 5 mil mesas de bambu poderia ser considerado sustentável. Frustrada com trabalhos sem sentido, Emily fundou aos 26 anos a organização sem fins lucrativos Project H para criar soluções de design para os mais necessitados. Antes que alguém se pergunte, H significa os valores centrais da dupla (Emily e seu parceiro Matthew Miller): humanity, habitats, health, happiness, heart, hands.

O Project H criou em 2009 o Studio H, uma espécie de grade curricular baseada no design para ser aplicada em escolas, então a convite do visionário diretor de uma highschool em uma comunidade rural extremamente pobre, onde existem mais prédios desocupados e abandonados do que em uso, de onde escapam os jovens para estudar e nunca mais voltam.

O projeto é incrível demais para ser resumido aqui e por isso deixo o vídeo da Emily no TED, tenho certeza de que é suficiente para inspirar designers, educadores e profissionais a enxergar o potencial do design aplicado à educação e a serviço de uma comunidade necessitada.

Atualmente o Studio H está em uma nova escola nos Estados Unidos para iniciar mais um projeto de educação em pequena escala, com as mesmas guias apaixonantes:

1. Não existe design sem ação crítica, 2. Nós projetamos/fazemos design COM e não PARA, 3. Nós documentamos, compartilhamos e mensuramos, 4. Começamos de maneira local para escalar de maneira global 5. Projetamos sistemas e não coisas e 6. construímos resultados em soluções de design simples e eficientes que dêem autonomia para as comunidades e construam capital criativo coletivo.

Design para vida > programação e inscrições.

junho 7, 2012

Starck entre o reciclável, o reciclado e a fama das cadeiras

por thaís serafini

Alguém ainda consegue argumentar com o designer mais estrela dos nosso tempos? Alguém que diz que o mundo precisa produzir e consumir menos mas continua engordando o bolso com projetos de grife? Ok ok, críticas à parte, longe de mim desmerecer o designer Starck e o que ele tem representando – quando é para o bem dos outros designers também.

Agora fico aqui me perguntando se fazem anos demais que acabei a faculdade e parei de estudar materiais e fabricação e posso ter esquecido detalhes, ou se o Mr. Philippe é realmente muito espertinho e pretende me dar um nó com essa história de cadeira sustentável.

A parceria com a Emeco realmente parece ser valiosa (tem mais aqui) para uma empresa importante que estava por afundar de tanto fabricar sempre a mesma cadeira. Mas a intenção por aqui é, na verdade, discutir o quanto de positivo tem no lançamento da cadeira Broom e quanto disso é marketing (ou desconhecimento meu?).

A cadeira Broom teria levado 10 anos de estudo para chegar à fórmula perfeita de um material capaz de criar a cadeira completamente reciclada. Sem desmerecer o esforço tecnólogico de empresas parceiras como a BASF, é importante diferenciar que o material criado é reciclado, porém dificilmente será reciclável.

O uso de serragem com adição de um polímero cria um compósito, a união de diferentes materiais mas que dificulta processos seguintes pois a sua ‘separação’ é quase impossível. Segundo fontes mais confiáveis: “Em razão de sua flexibilidade, os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados, sendo um dos exemplos mais claros a reciclagem de garrafas PET. Os compósitos, ao contrário, são rígidos em razão da maior complexidade em sua formação química, com ligações cruzadas que dificultam o seu processamento.”

E sabe o Starck tem a dizer a respeito deste “pequeno” detalhe? “Starck acredita que reciclagem foi uma grande mentira que as pessoas do marketing criaram para convencer o público a consumir e jogar fora. Ele acredita que se você tem a tradição de fabricar algo bem, você nunca irá precisar reciclar as coisas”.

O ideal seria, realmente, poder pensar em produtos com laços suficientemente fortes (entre outras características muito importantes) que incentivem o seu usuário a não descartá-las tão facilmente. Porém me parece não muito honesto da parte de um designer divulgar apenas uma parcela de toda a sua atividade projetual, a parcela que mais convém para chamar exatamente a atenção da mídia. Não chegamos ainda à utopia de poder criar produtos sem pensar no seu possível fim.


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