Posts tagged ‘#alice rawsthorn’

junho 5, 2012

Objectified com atraso

por thaís serafini

É com uma certa vergonha que venho falar do documentário Objectified, pois depois de 3 anos do seu lançamento eu ainda não tinha assistido. Mesmo depois de indicações de colegas queridas, continuei deixando-o guardado na manga. Graças a uma nova indicação bem especial (e companhia, é claro) chegou neste sábado o meu momento de objetificar, aleluia!

 

 

Certamente vale a pena, não só pelo fato de ter as minhas duas wannabe preferidas (leia-se Rawsthorn e Antonelli). Pessoalmente, valeu o “atraso” de assistir só agora por dois motivos: 1. entender o quanto a experiência de ter vivido na Milão-capital-do-design me deu a oportunidade de estar pertinho de tanta coisa importante e 2. analisar o quanto dos nomes ali apresentados, das tendências e produtos perdurou por esses 3 anos seguintes, quem continuou evoluindo, quem continuou no conceito e quem continua a se destacar no cenário mundial.

Então, fica a dica (dicas?): Objectified de Gary Hustwit, para ver e rever, e a tal lista de 12 documentários de arte e design.

abril 3, 2012

Como o caso amoroso com a Apple poderia acabar

por thaís serafini

Segundo minha “ídola” Alice Rawsthorn existem possibilidades de que isso aconteça. Um pouco cansada do hype em torno dos produtos Apple – mesmo continuando a admirá-los – tomo a liberdade de traduzir alguns trechos da mais recente coluna escrita por ela pois compartilho dos mesmos sentimentos:

 

“Dado o status da Apple como grande campeã do design corporativo, não é surpreendente que o mundo do design esteja especulando freneticamente sobre o risco de a empresa ter perdido seu brilho depois da morte do seu co-fundador, Steven P. Jobs, em outubro. [...]

Quando comentadores de design, como eu, refletem no constitui – e o que não constitui – um ‘bom design’ tendemos a identificar ‘sustentabilidade‘ ou ‘responsabilidade’ como um elemento indispensável. Nós usamos estas palavras como abreviação para o fato de que nada pode ser considerado bem-projetado se sentimos culpa sob qualquer aspecto no modo como foi desenvolvido, fabricado, embalado, transportado ou vendido, e afinal descartado. Afinal de contas, como podemos sentir prazer em alguma coisa que sabemos – ou suspeitamos – ser prejudicial ecologicamente, ou causador de dor e dificuldades?

Em teoria, não podemos, mas na prática, a maioria de nós sente de tempos em tempos, mesmo que seja difícil admitir. Às vezes nós tentamos – e falhamos – em encontrar alternativas livres de culpa, mas geralmente isso só acontece quando decidimos nos comprometer. [...]

Alguns dos consumidores da Apple podem estar tão seduzidos pelos outros méritos dos produtos da Apple que eles irão continuar comprando independentemtente. Outros, como eu, escolheria ser responsável, mas não têm certeza se a Apple é pior ou melhor que seus rivais. Afinal, o New York Times publicou problemas similares em fábricas fornecedoras da Dell, Hewlett-Packard, I.B.M, Nokia, Sony, Toshiba e outras. E alguns grupos ecológicos admitiram criticar a Apple no passado não necessariamente porque era mais pobre que as outras, mas pelo fato de que, por ser uma companhia considerada líder, deveria ser analisada por padrões mais exigentes.

Mas se um dos adversários da Apple fosse buscar as responsabilidades éticas e ambientais com tal rigor e entusiamo para surgir como modelo, você não iria querer comprar seus produtos? Eu iria. (Imaginando, é claro, que ele atingisse também os outros requisitos de ‘bom design’.) Talvez a própria Apple irá aproveitar a oportunidade, assim como a Nike fez quando enfrentou uma situação parecida. Afinal, se a Apple deve superar a era pós-Jobs, ela deve evoluir. Por mais que pareça nobre elevar os padrões de design sustentável, fazê-lo requer um longo e árduo caminho, apesar de parecer ser exatamente o tipo de desafio em que o novo chief-executive da Apple, Timothy D. Cook, se destaca.”

outubro 13, 2011

A necessidade é a mãe da invenção

por thaís serafini

Nesta semana, a coluna no NYT da Alice R. foi dedicada a contar a história da Ms. Cook e dos muros de pedra aos quais a sua vida acabou se misturando. Não é por nada que a fotógrafa Marianna Cook costuma dizer que “muitas vezes a inspiração vem quando você menos espera“: ao retornar à sua propriedade no campo e encontrar ali seu muro de pedras caído e as 50 vacas do vizinho que o haviam atravessado, ela deu atenção particular à tal parede.

Este tipo de muro (drystone wall em inglês) é construído de maneira tradicional, ao selecionar e intercalar pedras encontradas na região de maneira que se encaixem perfeitamente. Não exigem manutenção, podendo durar mais de um século, não agridem o meio-ambiente e ainda são exemplos de design intuitivo feito a partir de ‘objetos sem uso’. Por estes e outros motivos, a dona do muro caído resolveu levar suas câmeras por aí para fotografar este tipo de construção.

My wall in snow

As belas imagens recolhidas ao longo de oito anos, acompanhadas de ensaios históricos e pesquisas locais, foram recolhidas no livro “Stone Walls: Personal Boundaries”.  Segundo a autora do texto, diferente de outros inventos da era Neolítica que foram abandonados ao longo da história, este tipo de muro perdura e é construído praticamente da mesma maneira há mais de 9,000 anos, quando os primeiros homens seguiram o instinto de proteger suas propriedades e guardar seus animais.

peru 2005

Ireland 2005

mallorca 2009

“Construir um muro de pedras exige consideravelmente mais tempo e habilidade do que outras formas de cercada, mas o resultado pode durar muito mais. Cada um representa um investimento humano no futuro e um esforço heróico de construir algo que definirá a paisagem e protegerá a terra por gerações.”

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