Não acredito ser capaz de apresentar o trabalho e a filosofia de uma artista como Marina Abramovic. Considerada a ‘mãe da performance art‘, nascida na Sérvia, apresentou instalações memoráveis como a “The artist is present” realizada no MoMA em 2010, em que ela encarava por sete horas os vistantes em seus olhos, pois acredita que é uma atitude mais intimidadora e reveladora do que apresentar-se nu.
Para a Bienal de Veneza deste ano (alguns destaques apareceram aqui e aqui), Marina está presente em duas mostras diversas (infelizmente não consegui localizar imagens interessentes de nenhuma): no Palazzo Bembo ela integra a exposição Personal Structures com outros 28 artistas internacionais, tratando dos conceitos de tempo, espaço e da existência.

A mais interessante, porém, é no pavilhão de Montenegro (sim, é um país): “The Fridge Factory and Clear Waters” é um vídeo que fala de suas raízes montengrinas e da criação de um grandioso centro de performance art no país. Obod, uma antiga fábrica de geladeiras situada em Cetinje, irá ceder o espaço para o MACCO (Centro Cultural Marina Abramovic). Ninguém melhor do que a artista para descrever seu sonho de trazer de volta ao seu país o reconhecimento conquistado no mundo todo:
“Obod foi fundado para produzir geladeiras para toda a ex-Iugoslávia e continua um exemplo do ideal do comunismo, da industrialização e do modernismo. [...] Acredito que é o momento certo para ‘descongelar‘ Cetinje; estou pronta para contribuir pessoalmente porque quero que as boas ideas e iniciativas se realizem em Montenegro, e desejo que Cetinje se transforme em um centro ativo e importante da arte contemporânea.”