Alguém ainda consegue argumentar com o designer mais estrela dos nosso tempos? Alguém que diz que o mundo precisa produzir e consumir menos mas continua engordando o bolso com projetos de grife? Ok ok, críticas à parte, longe de mim desmerecer o designer Starck e o que ele tem representando – quando é para o bem dos outros designers também.
Agora fico aqui me perguntando se fazem anos demais que acabei a faculdade e parei de estudar materiais e fabricação e posso ter esquecido detalhes, ou se o Mr. Philippe é realmente muito espertinho e pretende me dar um nó com essa história de cadeira sustentável.
A parceria com a Emeco realmente parece ser valiosa (tem mais aqui) para uma empresa importante que estava por afundar de tanto fabricar sempre a mesma cadeira. Mas a intenção por aqui é, na verdade, discutir o quanto de positivo tem no lançamento da cadeira Broom e quanto disso é marketing (ou desconhecimento meu?).
A cadeira Broom teria levado 10 anos de estudo para chegar à fórmula perfeita de um material capaz de criar a cadeira completamente reciclada. Sem desmerecer o esforço tecnólogico de empresas parceiras como a BASF, é importante diferenciar que o material criado é reciclado, porém dificilmente será reciclável.
O uso de serragem com adição de um polímero cria um compósito, a união de diferentes materiais mas que dificulta processos seguintes pois a sua ‘separação’ é quase impossível. Segundo fontes mais confiáveis: “Em razão de sua flexibilidade, os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados, sendo um dos exemplos mais claros a reciclagem de garrafas PET. Os compósitos, ao contrário, são rígidos em razão da maior complexidade em sua formação química, com ligações cruzadas que dificultam o seu processamento.”
E sabe o Starck tem a dizer a respeito deste “pequeno” detalhe? “Starck acredita que reciclagem foi uma grande mentira que as pessoas do marketing criaram para convencer o público a consumir e jogar fora. Ele acredita que se você tem a tradição de fabricar algo bem, você nunca irá precisar reciclar as coisas”.
O ideal seria, realmente, poder pensar em produtos com laços suficientemente fortes (entre outras características muito importantes) que incentivem o seu usuário a não descartá-las tão facilmente. Porém me parece não muito honesto da parte de um designer divulgar apenas uma parcela de toda a sua atividade projetual, a parcela que mais convém para chamar exatamente a atenção da mídia. Não chegamos ainda à utopia de poder criar produtos sem pensar no seu possível fim.










