Posts tagged ‘#sustentabilidade’

junho 20, 2012

Mais de Gucci + sustentabilidade

por thaís serafini

Lembram da linha de óculos biodegradáveis que apareceram por aqui há pouco tempo? Pois a grife italiana tem investido em lançar outros produtos sustentáveis além deles, como a Sustainable Soles.

As sapatilhas e tênis são feitos (também) de plástico biodegradável e foram projetados por Frida Giannini, creative director da Gucci. O modelo masculino inclui ainda a utilização de solas de “bio-borracha”, “biocadarços” e etiquetas impressas em poliestireno reciclado, ufa!

 

 

O pessoal por lá definiu assim “Este novo projeto transmite a missão da casa de interpretar de modo responsável o desejo do consumidor moderno por produtos de moda que sejam sustentáveis, mantendo também o equilíbrio entre valores atemporais de estilo e qualidade superior com uma visão cada vez mais verde.” A teoria é linda e a iniciativa também, porém… O design talvez ainda esteja um pouco longe do que podemos considerar desejável-como-só-Gucci-pode-ser, não?

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junho 7, 2012

Gucci e a sustentabilidade

por thaís serafini

É impossível escrever sobre design hoje em dia sem viver falando de sustentabilidade. Ou pelo menos de soluções mais ou menos eficazes, mais ou menos honestas, ou do que poderia ser um design capaz de minimizar os danos ao meio-ambiente no caos que a gente sente viver. Por isso volto com o papo de materiais e produtos de tecnologia inovadora, porém de um ponto-de-vista muito mais positivo e abrangente.

Eu sequer sabia que a Gucci havia feito um comprometimento oficial com o meio-ambiente, portanto me surpreendi muito com essa linha de óculos biodegradáveis. A mágica seria a “madeira líquida“, um material biodegradável que nunca foi usado neste segmento. Trata-se de uma composição de bio-materiais, como a fibra de madeira retirada de florestas de manejo sustentável, linho do processo de fabricação do papel e cera natural.

Além disso, as embalagens serão ecofriendly, ou seja, 100% feitas de materiais certificados pelo FSC. A marca já utilizada embalagens sustentáveis desde 2010 e agora irá estender à linha de óculos. As novas embalagens também foram projetadas para minimizar espaço de estocagem, reduzindo em 60% a emissão de CO2 no transporte.

No protótipo divulgado recentemente dá pra perceber bem forte os traços inspirados na natureza, através das formas de plantas como o bambu na sua estrutura. O selo internacional Mobius Loop (nome chique pro nosso conhecido símbolo) certifica o material reciclável, enquanto nós aplaudimos (e desejamos, né?).

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junho 7, 2012

Starck entre o reciclável, o reciclado e a fama das cadeiras

por thaís serafini

Alguém ainda consegue argumentar com o designer mais estrela dos nosso tempos? Alguém que diz que o mundo precisa produzir e consumir menos mas continua engordando o bolso com projetos de grife? Ok ok, críticas à parte, longe de mim desmerecer o designer Starck e o que ele tem representando – quando é para o bem dos outros designers também.

Agora fico aqui me perguntando se fazem anos demais que acabei a faculdade e parei de estudar materiais e fabricação e posso ter esquecido detalhes, ou se o Mr. Philippe é realmente muito espertinho e pretende me dar um nó com essa história de cadeira sustentável.

A parceria com a Emeco realmente parece ser valiosa (tem mais aqui) para uma empresa importante que estava por afundar de tanto fabricar sempre a mesma cadeira. Mas a intenção por aqui é, na verdade, discutir o quanto de positivo tem no lançamento da cadeira Broom e quanto disso é marketing (ou desconhecimento meu?).

A cadeira Broom teria levado 10 anos de estudo para chegar à fórmula perfeita de um material capaz de criar a cadeira completamente reciclada. Sem desmerecer o esforço tecnólogico de empresas parceiras como a BASF, é importante diferenciar que o material criado é reciclado, porém dificilmente será reciclável.

O uso de serragem com adição de um polímero cria um compósito, a união de diferentes materiais mas que dificulta processos seguintes pois a sua ‘separação’ é quase impossível. Segundo fontes mais confiáveis: “Em razão de sua flexibilidade, os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados, sendo um dos exemplos mais claros a reciclagem de garrafas PET. Os compósitos, ao contrário, são rígidos em razão da maior complexidade em sua formação química, com ligações cruzadas que dificultam o seu processamento.”

E sabe o Starck tem a dizer a respeito deste “pequeno” detalhe? “Starck acredita que reciclagem foi uma grande mentira que as pessoas do marketing criaram para convencer o público a consumir e jogar fora. Ele acredita que se você tem a tradição de fabricar algo bem, você nunca irá precisar reciclar as coisas”.

O ideal seria, realmente, poder pensar em produtos com laços suficientemente fortes (entre outras características muito importantes) que incentivem o seu usuário a não descartá-las tão facilmente. Porém me parece não muito honesto da parte de um designer divulgar apenas uma parcela de toda a sua atividade projetual, a parcela que mais convém para chamar exatamente a atenção da mídia. Não chegamos ainda à utopia de poder criar produtos sem pensar no seu possível fim.


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