Simples x Complexo

por thaís serafini

Na sua coluna semanal, Alice Rawsthorn resolveu elogiar, desta vez, quatro exemplos de designQuietly Excellent“, ou seja, que fazem sucesso sem alardes. Um mês após o exagero e megalomania do Salone del Mobile, pareceu para ela o momento certo de exaltar projetos não necessariamente inovativos mas que cumprem sua função perfeitamente e nos proporcionam bem-estar.

Quem concordaria com a filosofia por trás desta lista é Donald Norman, que foi apresentado pela Domus por estar lançando o livro “Living with Complexity“. O engenheiro, psicológo e ex-vice-presidente da Apple, que sempre foi contra a tendência dos designers de adicionar mais e mais funções aos produtos, parece quase mudar de ideia. Neste novo trabalho, Donald diz que uma certa quantidade de complexidade é sim necessária, “é simplesmente uma questão de decidir onde colocá-la: no produto ou em seu uso.” Quer dois exemplos? Os skis, por mais que sejam equipamentos super simples de entender, são dificilíssimos de usar corretamente. E o contrário seriam os softwares de edição de foto, que são complexos até que se entendam todas as ferramentas e suas possibilidades, mas depois fazem tudo praticamente sozinhos sem a necessidade da habilidade do usuário. Outro exemplo do autor é a imagem abaixo, foto de Al Gore em sua  mesa de trabalho, local capaz de refletir a complexidade do dono, mesmo que para ele exista sim uma ordem.

algore at desk

Porém, um detalhe importante, segundo o autor, é não confundir complexidade com complicação, sendo a segunda derivada de produtos mal projetados, que resultam também em muitas interações frustradas entre homem-máquina, tentativas de impor aos seres humanos a lógica de uma máquina. “O segredo é tentar melhorar este diálogo, projetar pensando no usuário e não na tecnologia”.

Abaixo estão as imagens que ilustram a coluna de Alice, os tais eleitos por seu design distintivamente silencioso e bem sucedido: 1) a nova série de livrosGreat Food” da Penguin cujo fundador dizia em 1935: “Eu nunca entendi porque livros baratos não podem ser também bem projetados, já que um bom design não custa mais do que um ruim.”; 2) a linha de jantar descartável eco-friendly Wasara, produzida com material biodegrável, de fonte sustentável e com formas delicadas; 3) a revista italiana Domus Magazine, que se assemelha a um livro, com conteúdo memorável e profundo que não se encontra online; 4) linha de mesa em porcelana de Jaime Hayón para Maruwakaya, que consegue ser sutil, bem-humorada e orientalmente tradicional.

penguin-book

detalhe-domus-magazine

jhayon-porcelain


2 Comentários to “Simples x Complexo”

  1. Adorei os pratos descartáveis com cara de ricos, assim fica fácil fazer uma festa sem Maria e nem maquina de lavar louça e ainda colaborar com o meio ambiente! ;)

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