A Bienal de Veneza

por thaís serafini

Do dia 4 de junho a 27 de novembro está aberta ao publico a 54a exposição internacional de arte da Bienal de Veneza, chamada também de ILLUMInazioni (algo como ILUMInações). Como críticos, artistas e imprensa já tiveram acesso VIP aos ‘pavilhões’ de cada país distribuídos na cidade-mais-linda-do-mundo, muita coisa já foi avaliada e publicada online.

Comentar à distância um evento dessa grandiosidade é tarefa ingrata, mas me arrisco a recolher aqui algumas impressões do que li e ouvi falar sobre instalações que me interessaram particularmente.

O artista indiano Anish Kapoor, que já foi tema por aqui, é responsável por um projeto lateral da Biennale na Basilica di San Giorgio. “Ascencion” é uma instalação que explora a fumaça como um material, tentando transformá-lo em tangível através de uma coluna que sobe da base para a nave da igreja (com ajuda de um sistema adequado de ventilação). A exibição foi desenvolvida em parceria com a marca italiana de café Illy (por isso a sugestiva fumaça!) e apresenta também um set de xícara e pires desenvolvidos por Kapoor, com suas características superfícies refletoras.

 

anishk-ascension

“No meu trabalho ‘o que é’ e ‘o que parece ser’ se confundem. O que me interessa é a imaterialidade virando um objeto.” (A.K)

 

anish.k.ascension

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Outro projeto que envolve uma marca italiana famosa, o design e um espaço local de Veneza é a Ca’ Corner della Regina pela Fondazione Prada.  O belíssimo prédio, construído entre 1724 e 1728, estava vazio nos últimos anos até as autoridades terem cedido o espaço à fundação, alugado inicialmente por seis anos, para exibir a coleção de arte contemporânea de Miuccia Prada e seu marido Patrizio Bertelli (chief executive da Prada).

Além do nosso conhecido Anish Kapoor, trabalhos importantes de artistas como Maurizio Cattelan, Damien Hirst, Lucio Fontana e Jeff Koons dividem atenções com o incrível interior do prédio.

 

ca-corner-regina

ca-corner

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Quanto ao pavilhão de arte da nação anfitriã, existem opiniões divididas: o 2dmblogazine comenta a falta de sentido e de ligação entre os trabalhos ali apresentados. O pavilhão deveria ser uma comemoração dos 150 anos da unificação da Itália, porém foi considerado uma ‘bagunça‘, pois segundo o editor do blog, trabalhos de duvidosa qualidade e outros sem um contexto específico, acabarm por deixar sem sentido a exposição. Outros, porém, defendem que esse panorama confuso é uma representação exata do momento difícil vivido pelo país.

italian pavillion

 

italian pavillion

 

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A eterna questão ‘o que é arte?‘ (e o que não é) foi bem presente nessa exposição, que trouxe também algumas peças do designer Gaetano Pesce, dizem que os curadores acharam que o poder desse nome traria maior credibilidade. Escolhida para recepcionar o público esta a sua Itália crucificada L’Italia in Croce“, antes apresentada na Triennale de Milão, e que já tinha me chamado atenção e portanto foi assunto de outro post.

Já que alguns (vários) quilômetros me separam fisicamente de Veneza (snif), pretendo continuar a comentar a Biennale à medida que as fontes relativamente confiáveis publicarem materiais a respeito. Enquanto isso, continuamos (todos, eu espero) a nos questionar, como faz o povo na Itália, sobre o que pode ser chamado de arte e o que não pode. Entretanto, é consenso internacional de que se existe algum país no mundo com poder e respaldo sobre o assunto é esse mesmo.

 

 

 

 

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