Bienal de Veneza: parte II

por thaís serafini

Pela segunda vez o mesmo tema e o mesmo drama: analisar uma exposição internacional de arte através da Internet. Pode acontecer que alguma exposição pareça muito boa virtualmente mas ao vivo se apresente pobre, e também o contrário, mas quando a mensagem por trás das instalações é mais forte, não existe distância que me impeça de dividir as informações.

Melhor ainda quando se pode contar com um report completo como aqueles publicados pela Domus. Neste caso, o destaque do site foi para o pavilhão do Iraque na Bienal de Veneza 2011, país que retorna ao ‘luxo’ de pensar em arte 35 anos após a primeira aparição neste evento. Simona Bordone visitou o pavilhão e constatou, de cara, o óbvio: só a presença do Iraque já é fato muito positivo. Com o tema ‘Acqua Ferita‘, os artistas responsáveis (aliás, nenhum deles vive mais no país) usaram a água como metáfora e, segundo a autora, conseguiram manter em total concordância as obras e o prédio abandonado escolhido para a mostra.

iraqi pavillion

Interessante também a análise que acompanha o tal report: no fim da década de 70, com o questionamento do papel da arte e do ‘sistema’ capitalista como um todo, os artistas começaram a procurar espaços menos neutros para expor seus trabalhos, criando uma nova estética em oposição ao  nosso conhecido ‘cubo branco’, que além do mais, não bastava mais para suas novas formas de arte. Resultado disso é que até os agentes imobiliários e o próprio governo perceberam que podiam se beneficiar dessa tendência, e é por isso que hoje temos tantas mostras e exibições em prédios abandonados, que aguardam pacientemente sua demolição ou restauração. É também o caso do pavilhão do Iraque, que obviamente não podia não falar e retratar a guerra.

iraqi pavillion

iraqi pavillion

 

Mudando de continente e de fonte, mas não totalmente de assunto, o pavilhão da Coréia apresenta 14 instalações multimídia do artista Lee Yongbaek (que triste todo um país trazer à Bienal/dar destaque aos trabalhos de um só artista) sob o título “The Love is gone but the scar will heal” (O amor se foi mas a cicatriz vai cicatrizar). Escolho as imagens da performance ‘Angel Soldier‘  com o video abaixo e o seu desenvolvimento na entrada do pavilhão coreano.

 

Os uniformes floreados são identificados por etiquetas com os nomes dos heróis da arte de Lee (Nam June Paik, John Cage, Joseph Beuys, Marcel Duchamp) e com alguns ícones da tecnologia contemporânea. Fazer arte é também uma luta e, provavelmente, na Coréia, os exércitos também fazem parte do cenário.

 

korean p

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