Um evento discute o que o design pode fazer

por thaís serafini

Dois dias de conferências em Amsterdan, apresentando e discutindo o que o design pode fazer. Simples assim. O Design Indaba fez a cobertura do evento e traz um resumão interessante, com os highlights dos 22 convidados a apresentar suas ideias no (ainda em fase inaugural) What Design can Do. A razão da escolha de Amsterdan para sediar o evento também não é aleatória: “uma cidade onde quatro meios de transporte (carros, trams, bicicletas e barcos) co-existem tão tranquilamente é um exemplo de como design é vital para o desenvolvimento e para o espiríto da sociedade.”

 

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Dia 1:

Rohan Shivkumar, arquiteto indiano, criticou as escolas de design de países em desenvolvimento, como o seu, que preferem ensinar os alunos a admirarem (e copiarem, eventualmente) os países ricos ao invés de enxergar as dificuldades dos seus. Alguma semelhança com o que acontece com as fábricas calçadistas gaúchas, que mesmo perdendo na competição com produtos Made in China, continuam a copiar descaradamente as coleções internacionais?

Huda Smitshuijzen AbiFares, falou sobre como transformou sua paixão em tipografia em força para renascer as artes contemporâneas e o design no Oriente Médio. Reaproximar os jovens artistas e designers, que se inspiravam demais no Ocidente, à cultura e à herança árabe.

Oliviero Toscani dispensa apresentações. As suas famosas e ousadas campanhas parecem ser mesmo uma continuação do fotógrafo, que falou sobre a coragem de enfrentar os riscos, que anda em falta nos designers, e sobre a criatividade: “Ter milhares de ideias não quer dizer ser criativo. A questão não é ter um monte de ideias, mas sim o que se faz com elas.” Para Toscani a arte é a mais alta forma de comunicação.

 

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Dia 2:

Scott Stowell, um jovem designer americano, relembrou aos participantes de que, apesar de parecer que sim, a experiência do usuário via internet ainda não é tudo. Seu escritório, que se diz não especializado em nada, produziu recentemente uma campanha para uma marca de pizza com foco nos entregadores e na embalagem. Quando questionado por um dos moderadores se um site não seria melhor, Stowell confidencia “Melhor pra quem? Porque quando eu peço uma pizza, eu prefiro ganhá-la em uma caixa legal do que ficar encarando um website.”

E as duas representantes brasileiras, Adelia Borges e Paula Dib (que já foi assunto por aqui), tutora e pupila respectivamente, falaram principalmente do design social e seu impacto no Brasil. A jornalista explicou aos participantes que, por muito tempo no Brasil, os produtos de artesãos locais foram levados e ganharam uma nova etiqueta de autoria, seus trabalhos já não pertenciam nem a eles mesmos. Paula Dib criou a Trans.forma para treinar designers a trabalhar diretamente com os artesãos de uma comunidade e diminuir a lacuna entre o chamado Brasil ‘formal’ e o ‘informal’. Ela acredita na inteligência do trabalho coletivo e quer acabar com a mania de que tudo é ideia de uma pessoa só, pois ao contrário do que disse Toscani, a criatividade está sim presente em todos.

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