Arquitetos da informação muito antes dos Wikileaks

por thaís serafini

 

Os regulamentos são feitos para te enganar. Os governos são feitos para te enganar. […] A nossa visão é que você deve cuidar de você mesmo. Não confie na Internet. Não confie em profissionais. Não confie em nós e em ninguém mais.

Existem dois arquitetos americanos, que estão longe do anonimato e da arquitetura por escolha própria, e que fundaram há mais de dez anos o Cryptome.

Nos primórdios da Internet, muito antes de Julian Assange e Wikileaks, Deborah e John acreditaram que aquele seria um meio com potencial de alterar os sistemas de poder entre as pessoas, os governos e as corporações e começaram a publicar documentos oficiais. Durante esses anos “puxando o tigre pelo rabo” ao defender a liberdade da informação, já receberam visitas policiais e passaram por julgamentos, e hoje disponibilizam on-line (ou em DVDs enviados pelo correio) mais de 65 mil documentos.

 

cryptome 2

Desde o início sentiam-se isolados entre hackers e criptógrafos, o que não mudou pois dizem não conhecer  nenhum arquiteto ou profissional relacionado que esteja envolvido em atividades como a do Cryptome. Sequer contam com leitores arquitetos no site.

A opinião do casal é que as exibições, revistas e outros meios deste círculo abdicaram o comprometimento como instrumentos capazes de mudanças. “Mesmo que os profissionais da área estivessem mais envolvidos em projetos como este você nunca os descobriria pela mídia do design ou arquitetura – eles seriam bizarros demais para essa ligação. […] Seguido nós lidamos com jornalistas que fogem de nos publicar – eles dizem que não puderam fazê-lo, não podiam publicar tal coisa, não tiveram espaço suficiente no nosso formato, as coisas mudaram desde a entrevista, e assim por diante.”

Acredito que o inteligente editor da Domus, Joseph Grimma, pretendia com esta entrevista levar aos seus leitores mais uma visão particular diretamente relacionada ao discutidíssimo (bem como recente e controverso) assunto do open-source no design e na arquitetura; ao qual John responde firme e indiretamente: “Somos grandes defensores do plágio e do ‘roubo’. E, como consequência, somos expulsos dos lugares toda hora. Eles nos dizem ‘você foi longe demais‘”.

 

deborah and john

 

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