Apartamento-manifesto

por thaís serafini

Não basta projetar, é preciso viver a sua criação: por isso Joe Colombo criou este apartamento-manifesto para ele e sua esposa na década de 70. Sou admiradora de seus produtos criados para a Kartell mas não sabia que tinha verdadeiro fascínio, na verdade,  por sistemas de moradia.

Neste artigo publicado na época pela revista Domus, o designer apresenta o apartamento dividido em duas máquinas: a de comer e a de dormir, tendo transformado essas duas zonas distintas em objetos que podem coexistir inclusive no mesmo ambiente. Típica dos anos setenta, a obssessão com o futurismo e a fantasia tiveram forte influência neste projeto que provavelmente tentava visualizar como seria a tal ‘vida moderna’.

joe colombo's apt

A cama é ‘conversível‘ com uma cápsula amarela que serve de teto e é controlada automaticamente, cheia de painéis que permitem inclusive programar luzes coloridas, e tem ainda acendedor de cigarros, telefone, ventilador de teto e alto-falantes. A energia elétrica para tudo isso vem direto do teto, por dentro de um tubo de aspirador de pó. Atrás da cama estão outros objetos necessários desta zona da casa – lençóis, roupas, espelhos e cabides – e até mesmo um termômetro para o momento de sair de casa. Finalmente, é isolada por uma parede de correr em plástico acionada manualmente.

O restante da casa – como a cozinha e o banheiro –  teve de ser mantido ‘convencional’ devido a elementos mecânicos que não podiam ser alterados. Através do esquema na planta baixa é possível localizar os elementos e também a posição das Multichair, famosa peça desenhado por Joe que consiste de duas estruturas estofadas conectadas que possibilitam diversas posições e usos.

A zona ‘comer’ possui um tampo de mesa giratório e que pode ser escondido e que possui um equipamento que esquenta pratos em seu centro. A grande ousadia é ter uma televisão também por aqui já que ‘vivemos em uma civilização condicionada pela televisão‘.

Joe Colombo escolheu utilizar somente uma cor, a amarela, e somente em um elemento, a cápsula da cama. Parecia tão estranho o futuro para eles, em 1971, quanto o parece para nós hoje em 2011.

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