Retrospectiva de Sergio Rodrigues no Fashion Rio

por thaís serafini

Eventos mega-interessantes no Brasil estão cada vez mais frequentes e isso é, essencialmente, uma notícia boa. Mas quem mora no Brasil – fora de SP ou RJ – sabe bem a tristeza que é não poder acompanhar de perto e prestigiar. É longe, é caro, enfim, o que importa é que o Fashion Rio este ano traz uma retrospectiva exclusiva da carreira de Sergio Rodrigues.

Irei considerar que um nome com este peso dispensa apresentações e ressaltar somente a sua importância na arquitetura e design brasileiros. Talentoso, muito simpático – pude comprovar em dois momentos “tiete”, como este abaixo, no Salão do Móvel de Milão em 2010 – e influência das maiores mesmo meio século depois do lançamento de seus principais projetos.

A cenografia da mostra é de Mari Stockler, responsável pela afirmação de que Sergio Rodrigues “mudou a maneira de sentar do brasileiro. Ele é sempre novo, jamais ficou com as ideias engessadas”. Segundo o portal FFW, o designer emocionado ainda complementou: “Não precisei mergulhar muito profundo, porque minhas criações sempre estiveram ao meu lado, bem perto de mim.

Obviamente a estrela da retrospectiva é a famosa e adorada Poltrona Mole, de 1957 (imagem abaixo). Poderia inclusive ousar dizer que a peça está entre os ícones do design brasileiro e ganhou menção especial por parte de Millor Fernandes:

“Que sei eu de arquitetura?
Bem, vai ver, tudo. Sei de morar, sei de dormir, sei de sentar. De morar sei que devo estar sempre de frente para o mar, olhando para a montanha, e, no Rio, clima tropical, de cara pro nascente. De dormir. Só durmo com os pés da cama voltados para a porta principal de onde pode penetrar o Mal. Embora em minha vida só tenha penetrado o Bem, depois de premir o leve tímpano do seio, que leva direto ao coração. E de sentar, aprendi sentando em areia (de Ipanema), sentado em banco (de Liceu), e evitando sentar em cadeira de Bauhaus (Gropius mereceu terminar a vida com aquela chata da Alma Mahier). Ainda de sentar. Eu tinha concluído que, como a bunda não vai se modificar no próximo milênio, os arquitetos de móveis tinham que criar a partir dela (ou delas, se considerarmos a duplicidade dessa singularidade anatômica). Foi aí que o talento estético de Sergio Rodrigues veio ao encontro do meu bom senso e exigência de conforto e, inesperadamente, empurrou embaixo de mim a já citada Poltrona Mole. Onde não me sentei. Deitei e rolei. Que artefato meus amigos! Uns dizem qué é slouchingly casual, outros que antecipou a Bossa Nova, Sergio Augusto afirma que é um móvel em que a pessoa se repoltreia, e Odilon Ribeiro Coutinho que “tem o dengo e a moleza libertina da senzala”. Sei lá. Pra mim, essencialmente couro, foi natural curtição. Anatômica, convidativa, insinuante. Atração fatal. Sharon Stone. É prazer sem igual sentar-deitar numa e ficar olhando em frente, uma outra da Bauhaus. Melhor, uma outra Mole.”  (M.Fernandes) 

2 Comentários to “Retrospectiva de Sergio Rodrigues no Fashion Rio”

  1. Que linda foto, adorei lhe ver, Thais. Bem acompanhada então, melhor ainda.

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