Como o caso amoroso com a Apple poderia acabar

por thaís serafini

Segundo minha “ídola” Alice Rawsthorn existem possibilidades de que isso aconteça. Um pouco cansada do hype em torno dos produtos Apple – mesmo continuando a admirá-los – tomo a liberdade de traduzir alguns trechos da mais recente coluna escrita por ela pois compartilho dos mesmos sentimentos:

 

“Dado o status da Apple como grande campeã do design corporativo, não é surpreendente que o mundo do design esteja especulando freneticamente sobre o risco de a empresa ter perdido seu brilho depois da morte do seu co-fundador, Steven P. Jobs, em outubro. […]

Quando comentadores de design, como eu, refletem no constitui – e o que não constitui – um ‘bom design’ tendemos a identificar ‘sustentabilidade‘ ou ‘responsabilidade’ como um elemento indispensável. Nós usamos estas palavras como abreviação para o fato de que nada pode ser considerado bem-projetado se sentimos culpa sob qualquer aspecto no modo como foi desenvolvido, fabricado, embalado, transportado ou vendido, e afinal descartado. Afinal de contas, como podemos sentir prazer em alguma coisa que sabemos – ou suspeitamos – ser prejudicial ecologicamente, ou causador de dor e dificuldades?

Em teoria, não podemos, mas na prática, a maioria de nós sente de tempos em tempos, mesmo que seja difícil admitir. Às vezes nós tentamos – e falhamos – em encontrar alternativas livres de culpa, mas geralmente isso só acontece quando decidimos nos comprometer. […]

Alguns dos consumidores da Apple podem estar tão seduzidos pelos outros méritos dos produtos da Apple que eles irão continuar comprando independentemtente. Outros, como eu, escolheria ser responsável, mas não têm certeza se a Apple é pior ou melhor que seus rivais. Afinal, o New York Times publicou problemas similares em fábricas fornecedoras da Dell, Hewlett-Packard, I.B.M, Nokia, Sony, Toshiba e outras. E alguns grupos ecológicos admitiram criticar a Apple no passado não necessariamente porque era mais pobre que as outras, mas pelo fato de que, por ser uma companhia considerada líder, deveria ser analisada por padrões mais exigentes.

Mas se um dos adversários da Apple fosse buscar as responsabilidades éticas e ambientais com tal rigor e entusiamo para surgir como modelo, você não iria querer comprar seus produtos? Eu iria. (Imaginando, é claro, que ele atingisse também os outros requisitos de ‘bom design’.) Talvez a própria Apple irá aproveitar a oportunidade, assim como a Nike fez quando enfrentou uma situação parecida. Afinal, se a Apple deve superar a era pós-Jobs, ela deve evoluir. Por mais que pareça nobre elevar os padrões de design sustentável, fazê-lo requer um longo e árduo caminho, apesar de parecer ser exatamente o tipo de desafio em que o novo chief-executive da Apple, Timothy D. Cook, se destaca.”

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