Archive for ‘Designers’

abril 16, 2015

We all go Sottsass! | Milan Design Week – parte II

por thaís serafini

Como destaca a Wallpaper, a febre inspirada no Memphis parece mesmo não ter prazo pra acabar… Ainda bem! A estética divertida e provocante do grupo da década de 80 – liderado por Ettore Sottsass – é o tema dos lançamentos da Kartell no Salone de 2015.

Deixando de lado a mera adaptação de produtos já existentes da marca, o que acho mais interessante é que a parceria com o designer começou lá em 2004, porém, não foi finalizada pois muitas das peças demandavam tecnologias que ainda não haviam sido desenvolvidas na época. Sottsass faleceu em 2007 mas a Kartell decidiu que poderia levar adiante a parceria seguindo suas ideias e agora, mais de uma década depois, conseguiu concretizar todas aquelas linhas e cores malucas.

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O diretor da empresa, Claudio Luti, afirma: “A tecnologia moderna hoje nos permite produzir os designs de Sottsass em um nível de sofisticação que não poderíamos imaginar dez anos atrás. Estou convencido de que o próprio Sottsass teria sido um grande fã de como trouxemos estes objetos à vida. A sua estética única e reconhecível vão diferencia-los no seu futuro industrial internacional.”

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abril 16, 2015

“A tecnologia representa o nascimento de uma nova estética” | Milan Design Week – parte I

por thaís serafini

O Salone del Mobile e seus eventos paralelos ainda nem acabaram mas já dá pra tirar uma febre de alguns destaques… Entre os projetos mais comentados está o do autor da frase do título, Max Lamb, com suas 41 cadeiras.

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A ideia do designer com a “Exercises in Seating” é explorar diferentes materiais, em diferentes maneiras de sentar, na maioria produzidas por ele mesmo, de maneira manual ou por vezes com apoio da tecnologia. A primeira cadeira foi criada e produzida em 2006, quando ele ainda era um estudante. Passando por materiais como mármore, bronze, cobre, polipropileno, concreto e madeira da fazenda do seu avô, o designer destacou para o Portal Emobile que cada cadeira foi um desafio, que inicia por uma conversa com o material.

Vale destacar o tom pessoal da experimentação de Lamb – e talvez seja exatamente por isso que a sua mostra tem chamado tanto a atenção no meio de tantos lançamentos internacionais. Mais do que cadeiras ou bancos, suas criações trazem seu próprio processo de projeto, aprendizagem e evolução. Não se trata de um showroom mas sim de uma história a ser contada, como se entende nas palavras do próprio designer: “As cadeiras estão dispostas em ordem cronológica de criação, mas você só sabe onde começa se eu contar.”

Imagem e descrição via Alice Rawsthorn (Facebook) e Portal eMobile.

novembro 18, 2014

“Não existe o material do momento”

por thaís serafini

Direto de entrevista no blog do Casa Brasil, algumas palavrinhas pra nos deixar pensando… Quando questionado sobre o consumo, as tendências, o design e os consumidores do “futuro”, o designer Paulo Biacchi sugere:

“Essa é a graça da coisa. Não existe o material do momento. Existem movimentos e pessoas criando processos. Processos artesanais, processos de baixa e média produção que utilizam materiais diversos. São móveis, objetos, roupas, sapatos e joias.

A motivação principal é consumir um produto com história, com alma.

[…]

O (design) bom é bom e o ruim é ruim. O filtro disso é o mercado e continuará sendo. Independente disso e desse consumo ser pautado pelas baixas produções, o grande desafio está nas mãos da indústria! Como produzir em série uma peça que agrade a esse novo consumo? Como entregar para o mercado essa exclusividade em um produto seriado feito aos milhares? Bom, nós já estamos pensando nisso.”

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Paulo Biacchi é sócio do estúdio de design Fetiche e também da marca de produtos para casa Fetiche. A Guarda Luz, luminária da imagem, é da Fetiche Design para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

julho 1, 2014

Gaetano Pesce e as mulheres em Roma

por thaís serafini

Provavelmente você conhece bem a famosa poltrona UP5&6 do mestre Gaetano Pesce, certo? O que provavelmente você não sabia (assim como eu) é o que existe por trás da sua criação:

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Na ocasião da recém inaugurada mostra de Pesce no Maxxi de Roma, uma versão gigante da poltrona terá o importante papel de continuar a crítica lançada pelo autor na época da criação da Up, lá em 1969. Ele mesmo explica:

“Esta cadeira, que metaforicamente liga com uma corrente o corpo feminino à uma bola, foi concebida para denunciar a condição de prisioneira a qual a mulher é condenada pelos preconceitos masculinos. Dentro da (nova versão de 7 metros de altura da) poltrona estarão algumas telas que exbibirão vídeos informativos sobre as condições da mulher em diversos países, além de um tributo especial à Malala Yousafzai: uma mulher símbolo das lutas para o melhoramento das condições femininas. As pessoas poderão entrar e assistir. […] A pesquisa artística não deve ser o fim de si mesma mas pode documentar uma realidade cruel como aquela que emerge de uma série de casos que acontecem no mundo todo e tem as mulheres como vítimas.”

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junho 24, 2014

Designer brasileiro domina o mundo

por thaís serafini

Não, não estou sendo sensacionalista ou falando de um dos irmãos Campana. Esta é apenas a tradução (livre) do título de um artigo no inglês Telegraph.uk! O que o artigo pretende é destacar o trabalho do designer Brunno Jahara.

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Segundo a autora, o designer volta ao Brasil para “surfar” a onda de destaque internacional do País, depois de uma temporada fazendo design na Europa. A intenção é falar dos 10 anos de carreira de Jahara, que está atualmente com peças à venda no super-trendy e worldwide L’Arco Baleno de Ambra Medda. Uma mostra no Rio de Janeiro (de nome Hiperbólico) faz a sua retrospectiva, que deve passar também por São Paulo e Brasília.

Lembro bem de ver as peças de Jahara numa Movelsul pela primeira vez, aquela coleção colorida, simples e com um quê de improviso, chamada Neorústica (primeira imagem abaixo). Desde então, gosto de acompanhar sua produção, torcendo para que o design brasileiro nos surpreenda e continue seu caminho, para dentro e para fora!

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junho 9, 2014

Sobre escassez e criatividade

por thaís serafini

“Comparo um objeto quebrado com uma estrutura socio-econômica quebrada. Como não posso influenciar a macro-estrutura de problemas dessa escala (devido à sua complexidade característica, em que uma solução muitas vezes gera novos problemas), eu afeto a micro-estrutura, consertando essas peças quebradas e/ou descartadas.”

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Scarcity e Repair is Beautiful são dois projetos bem interessantes do brasileiro Paulo Goldstein (que orgulho!). Além da criatividade poética das peças, as inspirações e palavras do designer fazem muito sentido. Os objetos foram construídos com pedaços de outros objetos que estavam em desuso, muitos encontrados nas ruas de Londres, onde Paulo vive.

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“Ambos os projetos tem também como pano de fundo a sustentabilidade, o apego emocional, o trabalho manual, o desejo de controle ao alcance das mãos, o ativismo e comentários sobre consumismo, entre outras coisas.”

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via Bamboonet.com.br