Archive for ‘Teorias’

novembro 6, 2015

A organização dos objetos, da casa e da vida

por thaís serafini

Esse livro me cativou pela promessa (que geralmente é ilusória) de uma super fórmula pra resolver algo na vida. Nesse caso, a organização da casa através do método inventado pela autora japonesa. Além disso, o livro é best-seller, tem uma capa linda e poucas páginas. Mas, no final das contas, o que mais me surpreendeu foi a perspectiva racional & emocional que a Marie Kondo apresenta sobre a nossa relação com os objetos:

“Nossos pertences descrevem com precisão o histórico das decisões que tomamos na vida. Organizar é um modo de fazer um inventário que nos faz ver aquilo de que realmente gostamos.”

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O tal método é radical porém subjetivo pois usa os sentimentos como parâmetro para tomada de decisões: a ideia é começar pelo descarte de tudo o que não te faz sentir bem (através de um processo de análise individual em que cada peça deve ser tocada) para eliminar o excesso (o grande causador da bagunça) e só então organize os pertences, tendo sempre em mente o estilo de vida que se quer conquistar com a organização da própria casa, pois “a organização é uma ferramenta e não um objetivo final”.

Sem querer querendo, o livro vai contra o consumismo maluco e defende a consciência usando um tom muito prático e intimista. Isso acontece porque, para colocar o método em prática, a pessoa deve criar uma relação de gratidão, cuidado e atenção especial com cada objeto que escolhe ter ao seu redor e novas aquisições são feitas somente quando necessário. E, pasmem, o recurso de organização preferido da especialista é a caixa de sapatos (!). Além disso, ela traz um modo de pensar que defende encontrar satisfação com menos:

O seu espaço é do tamanho ideal para você, pode acreditar. Perdi a conta das vezes em que ouvi reclamações sobre falta de espaço. Contudo, até hoje ainda não estive numa casa que não tivesse espaço suficiente para guardar os pertences dos moradores. O problema é que temos muito mais coisas do que precisamos ou queremos. Se você aprender a escolher seus pertences adequadamente, ficará apenas com o volume que cabe perfeitamente na sua casa, não importa o tamanho que ela tenha. Esta é a verdadeira mágica da organização”.

Usando histórias de clientes como exemplos e compartilhando a obsessão que vem desde a infância, Marie vai desvendando vários tipos de situações, como as mães recicladoras, as roupas de usar em casa, as pilhas de livros a serem lidos, as caixas de fotografia, dando dicas que vão desde a melhor maneira de dobrar roupas até como tratar suas meias com respeito e a importância de saudar a sua casa e colocar a sua bolsa vazia pra descansar.

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“O fato de possuir um excesso de coisas de que não consegue se desfazer não significa que você está cuidando bem delas. Na realidade, está fazendo exatamente o contrário. Quando reduz o volume de pertences a uma quantidade com a qual consiga lidar, você revitaliza sua relação com cada um deles.”

Eu ainda não testei o KonMari, confesso, pois a regra é fazer tudo de uma vez só, toda a casa, todos os cômodas, armários, gavetas para que a sensação seja impactante a ponto de a bagunça não voltar. Mas a leitura já está me inspirando muito nessa jornada de autoconhecimento através das minhas coisas e da minha casa!

“A decisão sobre os objetos que você quer manter é, na realidade, uma definição sobre que tipo de vida deseja viver.”

Marie Kondo: A mágica da arrumação. A arte japonesa de colocar ordem na sua vida e na sua vida.

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outubro 28, 2015

Criatividade & Medo

por thaís serafini

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Para muitas pessoas, se expressar de maneira criativa é natural e fácil. Para outras, é o ponto de encontro de muitos medos. O terror da folha em branco é um velho conhecido de muitos…

Parece loucura relacionar criatividade com medo, mas faz muito sentido. Na sua coluna mais recente, Oliver Burkeman levantou o assunto ao falar do Big Magic, livro novo da Elizabeth Gilbert (sim, a mesma do ‘Comer, Rezar e Amar’) sobre criatividade. Para Burkeman, a atividade criativa é assustadora por diversos motivos, que acompanham muitos de nós: medo de ser ridículo, medo do julgamento, medo de descobrir que não temos talento… Na infância, pais e professores muitas vezes sufocam iniciativas ditas criativas das crianças e existem inclusive teorias que sugerem que a dificuldade de ser criativo e inventar algo novo faz parte do percurso evolutivo do ser humano – a inventividade não se mostra muito produtiva em momentos de luta pela sobrevivência.

Se a expressão criativa pode ser associada ao medo, surge então a questão: como podemos nos tornar mais criativos, mais livres e menos medrosos?

E aqui ressurge a proposta do livro Big Magic, citado lá no início:

“Por mais que possa parecer banal, prefiro a abordagem de Gilbert, que essencialmente consiste no tratar o medo como uma irmãzinha menor ou um animal doméstico que nós amamos mesmo que coloque em prova nossa paciência.

O truque, para quem consegue, não é ignora-lo, ou supera-lo sem ouvir os seus conselhos, mas sim dar espaço a ele. Gilbert usa a antiga e útil analogia da viagem de carro: o medo viaja sempre com nós, e tudo bem, mas não significa que devemos dar a ele o volante.”

 

outubro 27, 2015

Algoritmos, biologia e o design

por thaís serafini

Paola Antonelli, em entrevista para a italiana Rivista Studio, conta o que imagina como as fronteiras do futuro para o design:

“No começo do verão anunciamos novas aquisições [no MoMa]: um rendering digital e dois modelos impressos em 3D do vírus Phi-X174, inócuo para os humanos mas capaz de destruir as células de uma bactéria muito difusa. E depois adquirimos uma série de três esculturas de design que são fruto do trabalho comum de um célebre tecelão de cestos tradicionais dos nativos americanos e de um studio de designer que desenvolveram algoritmos digitais. Nós realmente compramos algoritmos e entidades biológicas: é um pouco incomum para o nosso setor, mas é um trabalho que levamos adiante faz alguns anos, desde 2008 quando compramos interfaces. Simplesmente estamos tentando fazer o mundo entender que o design expandiu muito a própria área de atividade, de estudo e de influência. O nosso dever é fazer com que as instituições culturais também acompanhem esta transformação contínua.

(…)

Eu penso que os designers, quando são bons, funcionam como interface entre as revoluções científicas e tecnológicas e a nossa vida. A inovação verdadeira não pode acontecer sem o design, porque os cientistas podem descobrir as microondas, podem inventar a Internet, mas sem os designers que criam a interface ou desenham os fornos, todas essas inovações não teriam vida. Então, quanto mais enfrentamos mudanças que provocam, mais os designers se tornam fundamentais.”

Entrevista completa aqui.

março 25, 2015

Objetos e filosofia

por thaís serafini

 

 

“O desenho de qualquer objeto transmite uma impressão das atitudes psicológicas e morais que ela defende. […] Em essência, o design e a arquitetura nos falam sobre o tipo de vida que deveria desenvolver-se ao redor deles. Eles nos falam de certos estados de espírito que buscam incentivar e sustentar. Eles falam de visões de felicidade.

Sentir uma sensação de beleza é sinal de que encontramos uma expressão material de certas ideias que temos do que seja viver bem.

Os objetos que descrevemos como belos são versões das pessoas que amamos.”

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Alain de Botton e suas teorias inspiradoras… Direto das páginas do livro super interessante “A arquitetura da felicidade“.

A imagem é da estante Carlton de Ettore Sottsass.

março 16, 2015

Como serão os nossos móveis em 2020?

por thaís serafini

Quem faz a leitura da bola de cristal para responder a pergunta é Marcus Engman, chefe de design da IKEA na Suécia. Brincadeiras à parte, a gente sabe que a IKEA se esforça pra estar sempre lançando propostas interessantes e conectadas com diferentes estilos de vida (principalmente dos mais jovens).

Segundo Engman, em alguns anos o mobiliário será…

1. Fluido | Com a constante urbanização da população, a previsão é de que as pessoas vivam em espaços cada vez menores. A sala vira quarto, que vira escritório, o sofá vira cama, a cozinha vira sala e assim por diante… Por isso, os móveis deverão ser fluidos para se adaptar!

2. Multiuso | Com espaços menores, as pessoas terão menos móveis, que por sua vez terão que servir para vários fins. O chefe de design brinca: “É possível que o banquinho se torne um dos principais móveis da casa, porque ele pode fazer tanta coisa!”

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3. Expositor | O hábito de armazenar muitas coisas está com os dias contados. Com menos espaço e menos móveis, teremos menos coisas para guardar. E muito do que guardávamos há algumas décadas virou virtual e sequer ocupa espaço, como livros, DVDs, etc. Porém, há uma tendência de que as pessoas queiram expor os itens que colecionam e que guardam em casa. “Colecionar objetos é uma maneira de mostrar quem somos”, portanto vamos pensar mais em vidro e estantes do que em gavetas e armários.

4. Mais inteligente | A própria IKEA já lançou uma linha de móveis que carregam gadgets eletrônicos sem usar fios. Isso não quer dizer que o mobiliário será sempre mais e mais digital, mas é preciso pensar no uso e na influência dos gadgets no novo estilo de vida das pessoas.

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5. Menos volumoso | Os móveis flat-plack já são realidade na IKEA e em outras empresas, que entenderam que vender móveis desmontados de maneira inteligente diminui custos e facilita o transporte.

6. Personalizado | A grande sacada será conseguir personalizar produtos feitos em escala. O desafio é grande para os fabricantes mas eis um ponto crucial.

7. Texturizado | “As pessoas estão cansadas de tocar em telas touch o tempo todo”, conclui Engman, que aposta em tecidos de toque estranho para ativar a sensibilidade e causar sensações novas nas pessoas.

Muitas dessas tendências a gente já percebe em casa, nas coisas que escolhemos, em como as usamos para expressar nossa personalidade e se adaptar ao nosso estilo de vida. Pessoalmente, acho que o panorama lançado pela IKEA nestes pontos parece bem promissor :)

via Fastcodesign

abril 23, 2014

Design geológico

por thaís serafini

Caracterizado como “anti-design” pelo Trend Tablet, o projeto “CaCO3 – Stoneware” é, no mínimo, curioso. Foi através dele que a dupla de designers Thomas Vailly e Laura Lynn Jansen resolveu investigar se conseguiria cultivar pedras em um formato desejado.

A inspiração veio do processo geológico de crescimento das estalactites, que vão se formando gota por gota. A estrutura dos futuros objectos foi impressa em 3D e então deixada em locais com alta concentração de minerais para se petrificar por conta.

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O resultado? Um novo tipo de fósseis, um novo tipo de produto e uma investigação interessante sobre materiais e processos de fabricação – e por que não, uma investigação sobre o que é natural e o que é artificial.

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