Posts tagged ‘#alice rawsthorn’

abril 8, 2014

O design é uma força poderosa

por thaís serafini

A gota d’água para finalmente comprar o meu exemplo do Hello World: Where design meets life foi a matéria que compartilho a seguir, publicada no Atlantic. A crítica e jornalista Alice Rawsthorn defendeu com unhas e dentes, de maneira super acessível, a importância do design no mundo e deixou o convite para quem quiser se apronfundar no tema.

Assim que eu conseguir colocar em dia as leituras do mestrado e mergulhar no livro venho aqui fazer a minha “resenha”!

foto (1)

Por enquanto, destaco alguns trechos da matéria. Confira na íntegra aqui.

“O design é uma das forças mais poderosas nas nossas vidas, quer a gente se dê conta disso ou não, e ela pode ser tanto inspiradora, quando capacitadora e esclarecedora. […] 

Se você acreditar no design como um meio produtivo e poderoso que pode ajudar a construir uma vida melhor, fica claro que precisamos dos melhores designers possíveis para isso. E não será possível conseguirmos (os melhores designers) se o design for visto como uma disciplina tão marginal que os seus profissionais buscam se reclassificar como artistas.”

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junho 5, 2012

Objectified com atraso

por thaís serafini

É com uma certa vergonha que venho falar do documentário Objectified, pois depois de 3 anos do seu lançamento eu ainda não tinha assistido. Mesmo depois de indicações de colegas queridas, continuei deixando-o guardado na manga. Graças a uma nova indicação bem especial (e companhia, é claro) chegou neste sábado o meu momento de objetificar, aleluia!

 

 

Certamente vale a pena, não só pelo fato de ter as minhas duas wannabe preferidas (leia-se Rawsthorn e Antonelli). Pessoalmente, valeu o “atraso” de assistir só agora por dois motivos: 1. entender o quanto a experiência de ter vivido na Milão-capital-do-design me deu a oportunidade de estar pertinho de tanta coisa importante e 2. analisar o quanto dos nomes ali apresentados, das tendências e produtos perdurou por esses 3 anos seguintes, quem continuou evoluindo, quem continuou no conceito e quem continua a se destacar no cenário mundial.

Então, fica a dica (dicas?): Objectified de Gary Hustwit, para ver e rever, e a tal lista de 12 documentários de arte e design.

abril 3, 2012

Como o caso amoroso com a Apple poderia acabar

por thaís serafini

Segundo minha “ídola” Alice Rawsthorn existem possibilidades de que isso aconteça. Um pouco cansada do hype em torno dos produtos Apple – mesmo continuando a admirá-los – tomo a liberdade de traduzir alguns trechos da mais recente coluna escrita por ela pois compartilho dos mesmos sentimentos:

 

“Dado o status da Apple como grande campeã do design corporativo, não é surpreendente que o mundo do design esteja especulando freneticamente sobre o risco de a empresa ter perdido seu brilho depois da morte do seu co-fundador, Steven P. Jobs, em outubro. […]

Quando comentadores de design, como eu, refletem no constitui – e o que não constitui – um ‘bom design’ tendemos a identificar ‘sustentabilidade‘ ou ‘responsabilidade’ como um elemento indispensável. Nós usamos estas palavras como abreviação para o fato de que nada pode ser considerado bem-projetado se sentimos culpa sob qualquer aspecto no modo como foi desenvolvido, fabricado, embalado, transportado ou vendido, e afinal descartado. Afinal de contas, como podemos sentir prazer em alguma coisa que sabemos – ou suspeitamos – ser prejudicial ecologicamente, ou causador de dor e dificuldades?

Em teoria, não podemos, mas na prática, a maioria de nós sente de tempos em tempos, mesmo que seja difícil admitir. Às vezes nós tentamos – e falhamos – em encontrar alternativas livres de culpa, mas geralmente isso só acontece quando decidimos nos comprometer. […]

Alguns dos consumidores da Apple podem estar tão seduzidos pelos outros méritos dos produtos da Apple que eles irão continuar comprando independentemtente. Outros, como eu, escolheria ser responsável, mas não têm certeza se a Apple é pior ou melhor que seus rivais. Afinal, o New York Times publicou problemas similares em fábricas fornecedoras da Dell, Hewlett-Packard, I.B.M, Nokia, Sony, Toshiba e outras. E alguns grupos ecológicos admitiram criticar a Apple no passado não necessariamente porque era mais pobre que as outras, mas pelo fato de que, por ser uma companhia considerada líder, deveria ser analisada por padrões mais exigentes.

Mas se um dos adversários da Apple fosse buscar as responsabilidades éticas e ambientais com tal rigor e entusiamo para surgir como modelo, você não iria querer comprar seus produtos? Eu iria. (Imaginando, é claro, que ele atingisse também os outros requisitos de ‘bom design’.) Talvez a própria Apple irá aproveitar a oportunidade, assim como a Nike fez quando enfrentou uma situação parecida. Afinal, se a Apple deve superar a era pós-Jobs, ela deve evoluir. Por mais que pareça nobre elevar os padrões de design sustentável, fazê-lo requer um longo e árduo caminho, apesar de parecer ser exatamente o tipo de desafio em que o novo chief-executive da Apple, Timothy D. Cook, se destaca.”

outubro 13, 2011

A necessidade é a mãe da invenção

por thaís serafini

Nesta semana, a coluna no NYT da Alice R. foi dedicada a contar a história da Ms. Cook e dos muros de pedra aos quais a sua vida acabou se misturando. Não é por nada que a fotógrafa Marianna Cook costuma dizer que “muitas vezes a inspiração vem quando você menos espera“: ao retornar à sua propriedade no campo e encontrar ali seu muro de pedras caído e as 50 vacas do vizinho que o haviam atravessado, ela deu atenção particular à tal parede.

Este tipo de muro (drystone wall em inglês) é construído de maneira tradicional, ao selecionar e intercalar pedras encontradas na região de maneira que se encaixem perfeitamente. Não exigem manutenção, podendo durar mais de um século, não agridem o meio-ambiente e ainda são exemplos de design intuitivo feito a partir de ‘objetos sem uso’. Por estes e outros motivos, a dona do muro caído resolveu levar suas câmeras por aí para fotografar este tipo de construção.

My wall in snow

As belas imagens recolhidas ao longo de oito anos, acompanhadas de ensaios históricos e pesquisas locais, foram recolhidas no livro “Stone Walls: Personal Boundaries”.  Segundo a autora do texto, diferente de outros inventos da era Neolítica que foram abandonados ao longo da história, este tipo de muro perdura e é construído praticamente da mesma maneira há mais de 9,000 anos, quando os primeiros homens seguiram o instinto de proteger suas propriedades e guardar seus animais.

peru 2005

Ireland 2005

mallorca 2009

“Construir um muro de pedras exige consideravelmente mais tempo e habilidade do que outras formas de cercada, mas o resultado pode durar muito mais. Cada um representa um investimento humano no futuro e um esforço heróico de construir algo que definirá a paisagem e protegerá a terra por gerações.”

agosto 15, 2011

sustentabilidade bonita

por thaís serafini

Como designer e pessoa um pouco consciente, defendo projetos sustentáveis praticamente acima de tudo, mas isso não quer dizer sem critérios. Muitos se dizem ecologicamente corretos sem nem ter a dimensão do que isso significa por completo (por exemplo, o que vem a ser um banco sustentável que a gente vê nas propagandas..?).

Acredito também que um produto criado dentro dos parâmetros da sustentabilidade precisar ser, no mínimo, tão atraente no visual quanto os demais produtos.É difícil um produto competir nas vendas quando ser sustentável significa, além de muitas vezes ser mais caro, ter cara de reaproveitado/reciclado/ecológico.

Nesse mesmo assunto, a última coluna da ídola Alice Rawsthorn no NYT dividiu alguns exemplos em um ‘estudo’ quanto ao nível de responsabilidade ecológica e o de atrativos estéticos em: 1) responsáveis e não desejáveis, 2) desejável mas não responsável, 3) responsável e desejável.

Abaixo estão as imagens de dois exemplos da primeira categoria: o Samsung Replenish, construído com 35% de de plástico reciclado e que tem outros 82% de materiais recicláveis. Além disso, tem como opcional uma ‘capa’ para a bateria que é um carregador solar. Para os olhos da crítica Alice o modelo parece desajeitado, com cores berrantes e utiliza tipografia de gosto duvidoso.

replenish samsung

Quanto à cadeira a seguir (“Chairs, chairs, chairs. Design magazines, books and museums are stuffed with them“), chama-se Zartan e é obra do renomado Philippe Starck com a italiana Magis. O material, ainda em desenvolvimento, será um formulado orgânico especial que será reciclável e biodegradável, perfeito, não? Porém não tem tantos pontos a favor quanto se trata de estética, especialmente quando comparada aos milhares de outros modelos de cadeiras mais interessantes e menos responsáveis, muitas desenhadas pelo próprio Starck.

zartan chair

E, finalmente, Ms. Rawsthorn cita um projeto que ganharia o simbólico troféu e está atualmente em desenvolvimento: o designer italiano Martino Gamper tem garimpado as ruas de Turim à procura de elementos que possam ser transformado em novo mobiliário. Considerado seu projeto mais ambicioso, deve ser apresentado na mesma cidade em setembro, e eu já estou curiosa!

maio 9, 2011

Simples x Complexo

por thaís serafini

Na sua coluna semanal, Alice Rawsthorn resolveu elogiar, desta vez, quatro exemplos de designQuietly Excellent“, ou seja, que fazem sucesso sem alardes. Um mês após o exagero e megalomania do Salone del Mobile, pareceu para ela o momento certo de exaltar projetos não necessariamente inovativos mas que cumprem sua função perfeitamente e nos proporcionam bem-estar.

Quem concordaria com a filosofia por trás desta lista é Donald Norman, que foi apresentado pela Domus por estar lançando o livro “Living with Complexity“. O engenheiro, psicológo e ex-vice-presidente da Apple, que sempre foi contra a tendência dos designers de adicionar mais e mais funções aos produtos, parece quase mudar de ideia. Neste novo trabalho, Donald diz que uma certa quantidade de complexidade é sim necessária, “é simplesmente uma questão de decidir onde colocá-la: no produto ou em seu uso.” Quer dois exemplos? Os skis, por mais que sejam equipamentos super simples de entender, são dificilíssimos de usar corretamente. E o contrário seriam os softwares de edição de foto, que são complexos até que se entendam todas as ferramentas e suas possibilidades, mas depois fazem tudo praticamente sozinhos sem a necessidade da habilidade do usuário. Outro exemplo do autor é a imagem abaixo, foto de Al Gore em sua  mesa de trabalho, local capaz de refletir a complexidade do dono, mesmo que para ele exista sim uma ordem.

algore at desk

Porém, um detalhe importante, segundo o autor, é não confundir complexidade com complicação, sendo a segunda derivada de produtos mal projetados, que resultam também em muitas interações frustradas entre homem-máquina, tentativas de impor aos seres humanos a lógica de uma máquina. “O segredo é tentar melhorar este diálogo, projetar pensando no usuário e não na tecnologia”.

Abaixo estão as imagens que ilustram a coluna de Alice, os tais eleitos por seu design distintivamente silencioso e bem sucedido: 1) a nova série de livrosGreat Food” da Penguin cujo fundador dizia em 1935: “Eu nunca entendi porque livros baratos não podem ser também bem projetados, já que um bom design não custa mais do que um ruim.”; 2) a linha de jantar descartável eco-friendly Wasara, produzida com material biodegrável, de fonte sustentável e com formas delicadas; 3) a revista italiana Domus Magazine, que se assemelha a um livro, com conteúdo memorável e profundo que não se encontra online; 4) linha de mesa em porcelana de Jaime Hayón para Maruwakaya, que consegue ser sutil, bem-humorada e orientalmente tradicional.

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