Posts tagged ‘#arte contemporanea’

novembro 24, 2014

Arte, performance e mobiliário

por thaís serafini

Fiquei supresa hoje ao ver nomes de áreas distintas (porém não distantes) juntas em um projeto de mobiliário. A chocante e inspiradora Marina Abramovic, que se diz “a avó das artes performáticas”, junto ao arquiteto Daniel Libeskind e à fabricante italiana Moroso, criou uma edição limitada de uma mesa.

Na verdade, trata-se de uma releitura em concreto do protótipo que a artista usa em sua performance “Counting the rice”, na qual participantes são convidados a se sentar, separar e contar arroz e lentilhas por pelo menos seis horas. Na imagem da esquerda, a mesa/banco contínua onde estão os participantes da performance.

marina-moroso-libes

Segundo o artigo do NYT, a nova proposta (imagem da direita) é mais angulosa, seguindo as formas características do arquiteto polonês. Apesar do contraste questionável entre a austeridade e os objetivos da performance de Marina e a venda exorbitante de uma das novas mesas por mais de duzentos mil reais (!), o interessante é perceber este tipo de movimento por parte de uma das empresas gigantes do design de móveis, como a Moroso. Quem sabe no próximo Salone del Mobile poderemos ver propostas mais originais e menos releituras de clássicos….

julho 27, 2011

what do you see?

por thaís serafini

james hopkins

junho 30, 2011

Vik Muniz, finalmente um brasileiro.

por thaís serafini

Pensando em escrever sobre o artista plástico Vik Muniz percebi que infelizmente oa artistas brasileiros não aparecem muito frequentemente por aqui. Preconceito meu ou das minhas fontes? Ou a nossa participação e alcance no mundo das artes e design ainda são iniciantes demais? Muitos dizem que é porque ainda estamos numa fase de descobrir nossa identidade própria e deixar de copiar o que é produzido lá fora. Apesar de não querer desmerecer a nossa área com uma generalização dessas, eu concordo. Mas não é nossa culpa unicamente, quem vive o Brasil sabe que por aqui ‘o buraco é mais embaixo’.

Mas voltando ao tema, o Vik Muniz é um destes que já encontrou há tempos a sua maneira de se expressar artisticamente e por isso é o artista brasileiro que mais vende no estrangeiro (segundo o seu próprio filme). Falando nele, Lixo Extraordinário foi filmado durante dois anos em um projeto com os catadores de lixo em um dos maiores aterros sanitários do mundo, na periferia do Rio de Janeiro. Indicado ao Oscar de Melhor Documentário neste ano, é um retrato sensível de uma profissão erroneamente desvalorizada no nosso país ao entrar em contato com a realidade da arte contemporânea.

E falando em retratos, especialidade do Vik, compartilho abaixo algumas de suas obras realizadas com outros materiais insólitos, além do lixo.

 

vik muniz

 

vik muniz

 

vik muniz

 

vik muniz

 

vik muniz

 

Via La Boite Verte. Viram só, compartilhado por blog francês e não brasileiro.

 

junho 29, 2011

Estátua Humana no Espace Louis Vuitton Tokyo

por thaís serafini

Xavier Veilhan impressionou de tal maneira os executivos da Louis Vuitton com suas instalações nos últimos anos que foi convidado para inaugurar o prestigiado Espace Louis Vuitton Tokyo com sua mostra Free Fall. O artista francês costuma criar obras especialmente para o local onde serão apresentadas, e por isso o conceito para a Tokyo Statue nasceu assim que Xavier conheceu a galeria da marca, localizada no sétimo andar e totalmente envidraçada, conferindo a sensação de flutuar pela cidade. A forma humana em um pedestal,  composta de triângulos planos, que fita o horizonte. O verde escolhido é considerado estranho para estátuas, porém é a cor de um banco em uma praça de Paris e, assim como o espaço para sentar localizado em seu pedestal, convida o visitante a parar e admirar a vista, transformando-se finalmente em parte da própria obra.

 

tokyo statue

 

A maneira que uma pessoa olha para uma exibição é muito importante para mim, mas também é importante que o visitante seja consciente da sua presença e do seu olhar.” Sobre a arte contemporânea, Xavier comenta ainda a filosofia das suas obras: “Eu sempre tento deixar um traço de tecnologia; é um paradoxo, mas é o que faz algo ser permanente, situando-o em seu tempo.”

junho 15, 2011

Os pavilhões da Serpentine Gallery

por thaís serafini

A Serpentine Gallery é uma das mais amadas galerias em Londres de arte moderna e contemporânea. Com mais de 800.000 visitantes por ano e entrada livre.

Localizada nos Kensington Gardens e é apadrinhada pela Princesa Diana. Quer mais? Desde 2000, a cada ano um arquiteto prestigioso é comissionado para criar o Serpentine Gallery Pavillion, que recebe mostras temporárias em exibição somente durante o verão, de junho a outubro.

A impecável editora Taschen (dos livros mais lindos ever) acabou de publicar um volume com um apanhado de dez anos de arquitetura contemporânea nos tais jardins, com os projetos de Zaha Hadid (2000), Toyo Ito (2002) e Oscar Niemeyer (2003), entre outros.

serpentine book

 

No ano passado, o talentoso arquiteto frances Jean Nouvel foi o responsável por embelezar o verão londrino. Com a comemoração do décimo pavilhão construído e dos 40 anos da Serpentine Gallery, a escolha foi monocromática em homenagem à cidade e suas icônicas cabines telefônicas, ônibus e caixinhas de correio. Realizado em vidro, tecido e policarbonato a estrutura possuía até mesmo um teto retrátil para o caso de não chover em Londres.

 

serpentine g p

 

serpentine g p

 

serpentine g p

 

serpentine g p

 

junho 15, 2011

Bienal de Veneza: parte II

por thaís serafini

Pela segunda vez o mesmo tema e o mesmo drama: analisar uma exposição internacional de arte através da Internet. Pode acontecer que alguma exposição pareça muito boa virtualmente mas ao vivo se apresente pobre, e também o contrário, mas quando a mensagem por trás das instalações é mais forte, não existe distância que me impeça de dividir as informações.

Melhor ainda quando se pode contar com um report completo como aqueles publicados pela Domus. Neste caso, o destaque do site foi para o pavilhão do Iraque na Bienal de Veneza 2011, país que retorna ao ‘luxo’ de pensar em arte 35 anos após a primeira aparição neste evento. Simona Bordone visitou o pavilhão e constatou, de cara, o óbvio: só a presença do Iraque já é fato muito positivo. Com o tema ‘Acqua Ferita‘, os artistas responsáveis (aliás, nenhum deles vive mais no país) usaram a água como metáfora e, segundo a autora, conseguiram manter em total concordância as obras e o prédio abandonado escolhido para a mostra.

iraqi pavillion

Interessante também a análise que acompanha o tal report: no fim da década de 70, com o questionamento do papel da arte e do ‘sistema’ capitalista como um todo, os artistas começaram a procurar espaços menos neutros para expor seus trabalhos, criando uma nova estética em oposição ao  nosso conhecido ‘cubo branco’, que além do mais, não bastava mais para suas novas formas de arte. Resultado disso é que até os agentes imobiliários e o próprio governo perceberam que podiam se beneficiar dessa tendência, e é por isso que hoje temos tantas mostras e exibições em prédios abandonados, que aguardam pacientemente sua demolição ou restauração. É também o caso do pavilhão do Iraque, que obviamente não podia não falar e retratar a guerra.

iraqi pavillion

iraqi pavillion

 

Mudando de continente e de fonte, mas não totalmente de assunto, o pavilhão da Coréia apresenta 14 instalações multimídia do artista Lee Yongbaek (que triste todo um país trazer à Bienal/dar destaque aos trabalhos de um só artista) sob o título “The Love is gone but the scar will heal” (O amor se foi mas a cicatriz vai cicatrizar). Escolho as imagens da performance ‘Angel Soldier‘  com o video abaixo e o seu desenvolvimento na entrada do pavilhão coreano.

 

Os uniformes floreados são identificados por etiquetas com os nomes dos heróis da arte de Lee (Nam June Paik, John Cage, Joseph Beuys, Marcel Duchamp) e com alguns ícones da tecnologia contemporânea. Fazer arte é também uma luta e, provavelmente, na Coréia, os exércitos também fazem parte do cenário.

 

korean p

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