Posts tagged ‘#design brasileiro’

novembro 18, 2014

“Não existe o material do momento”

por thaís serafini

Direto de entrevista no blog do Casa Brasil, algumas palavrinhas pra nos deixar pensando… Quando questionado sobre o consumo, as tendências, o design e os consumidores do “futuro”, o designer Paulo Biacchi sugere:

“Essa é a graça da coisa. Não existe o material do momento. Existem movimentos e pessoas criando processos. Processos artesanais, processos de baixa e média produção que utilizam materiais diversos. São móveis, objetos, roupas, sapatos e joias.

A motivação principal é consumir um produto com história, com alma.

[…]

O (design) bom é bom e o ruim é ruim. O filtro disso é o mercado e continuará sendo. Independente disso e desse consumo ser pautado pelas baixas produções, o grande desafio está nas mãos da indústria! Como produzir em série uma peça que agrade a esse novo consumo? Como entregar para o mercado essa exclusividade em um produto seriado feito aos milhares? Bom, nós já estamos pensando nisso.”

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Paulo Biacchi é sócio do estúdio de design Fetiche e também da marca de produtos para casa Fetiche. A Guarda Luz, luminária da imagem, é da Fetiche Design para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

 

junho 24, 2014

Designer brasileiro domina o mundo

por thaís serafini

Não, não estou sendo sensacionalista ou falando de um dos irmãos Campana. Esta é apenas a tradução (livre) do título de um artigo no inglês Telegraph.uk! O que o artigo pretende é destacar o trabalho do designer Brunno Jahara.

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Segundo a autora, o designer volta ao Brasil para “surfar” a onda de destaque internacional do País, depois de uma temporada fazendo design na Europa. A intenção é falar dos 10 anos de carreira de Jahara, que está atualmente com peças à venda no super-trendy e worldwide L’Arco Baleno de Ambra Medda. Uma mostra no Rio de Janeiro (de nome Hiperbólico) faz a sua retrospectiva, que deve passar também por São Paulo e Brasília.

Lembro bem de ver as peças de Jahara numa Movelsul pela primeira vez, aquela coleção colorida, simples e com um quê de improviso, chamada Neorústica (primeira imagem abaixo). Desde então, gosto de acompanhar sua produção, torcendo para que o design brasileiro nos surpreenda e continue seu caminho, para dentro e para fora!

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junho 9, 2014

Sobre escassez e criatividade

por thaís serafini

“Comparo um objeto quebrado com uma estrutura socio-econômica quebrada. Como não posso influenciar a macro-estrutura de problemas dessa escala (devido à sua complexidade característica, em que uma solução muitas vezes gera novos problemas), eu afeto a micro-estrutura, consertando essas peças quebradas e/ou descartadas.”

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Scarcity e Repair is Beautiful são dois projetos bem interessantes do brasileiro Paulo Goldstein (que orgulho!). Além da criatividade poética das peças, as inspirações e palavras do designer fazem muito sentido. Os objetos foram construídos com pedaços de outros objetos que estavam em desuso, muitos encontrados nas ruas de Londres, onde Paulo vive.

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“Ambos os projetos tem também como pano de fundo a sustentabilidade, o apego emocional, o trabalho manual, o desejo de controle ao alcance das mãos, o ativismo e comentários sobre consumismo, entre outras coisas.”

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via Bamboonet.com.br

abril 1, 2014

O Salão do Móvel de Milão vem aí!

por thaís serafini

Há meses que já estão todos falando do Salone del Mobile, mas só nas últimas semanas que eu comecei a tentar organizar as ideias e voltar a ficar de olho no evento anual mais badalado do mundo do design. São tão numerosos os lançamentos, tantas as “novidades”, que é difícil fazer um apanhado completo de quem e o quê vai estar por lá.

Aí vão algumas das dicas que andei “pescando” mas, conforme o andamento do evento, vamos nos atualizando por aqui com o que tiver de mais interessante:

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A imagem acima é a “concept bike” DL21, um dos projetos do Peugeot Design Lab, uma das indicações da Marie Claire italiana (sim, revista não especializada mas que publicou algumas dicas bacanas). Depois de projetar relógios, barcos e bicicletas, a marca francesa deve apresentar mais uma novidade na Via Tortona. Além disso, a matéria indica as cerâmicas do espanhol James Hayon com a empresa vêneta Bosa (que estarão na pavilhão 5 em Rho) e na zona Ventura os estudantes holandeses do Koning Willem I College que, a convite do Dutch Slow Design, projetaram conforme critérios “slow”: materiais locais ou reciclados e processos de fabricação de baixo impacto ambiental (imagem abaixo).

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Entre os nomes brasileiros que estarão expondo por lá está a mostra Origens do Brasil, com curadoria da Adélia Borges e a Rio + Design (na Via Tortona), que vai reunir mais de 50 expositores brazucas sob o tema design para o cotidiano.

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Já na Triennale, a “casa do design italiano” e parada obrigatória para quem vai ao Salone, está na sua sétima interpretação e merece uma visita exploratória. O tema deste ano fala de momentos de crise econômica em que a produção material teve de ser repensada e acabou ganhando um estímulo criativo projetual ainda maior (como nos anos 30, 70 e 2000, denonimados pela mostra como os períodos cruciais). Na imagem abaixo, projeto escolhido do Formafantasma.

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O Salão do Móvel 2014 acontece de 8 a 13 de abril em Milão e você pode ler sobre as edições anteriores aqui.

 

fevereiro 7, 2013

Colega designer, envie seu projeto!

por thaís serafini

Sumir do próprio blog é coisa feia, eu sei. A frase que ouvi de uma grande amiga hoje acabou me trazendo de volta aqui para tentar superar o perfeccionismo e a falta de tempo que me mantinham afastada: “Melhor feito do que perfeito“. Acredito ainda (mais) na importância e no poder do Design, portanto, a ideia é retomar o ritmo de posts e de falação por aqui.

Pra coincidir bem com o retorno, compartilho uma iniciativa bem legal que conheci hoje. Os móveis da Oppa não são mais exatamente uma novidade mas só agora fui conhecer um pouquinho melhor a empresa.

Tem coisas bonitas, coloridas e capazes de deixar qualquer espaço bem mais bonito e funcional – na imagem abaixo, a linha desenvolvida com a Neon, marca brasileiríssima que adoro também – mas a parte do “Como trabalhamos” merece o destaque (por hoje, pelo menos).

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Oppa design

Colegas designers, a Oppa não só se apresenta como “uma equipe apaixonada pelo smart design” (o que por si só já seria admirável) mas nos convida a enviar projetos! A equipe do Estúdio Oppa seleciona os projetos e os torna realidade, produzindo e vendendo no site com royalties e perfil do autor junto ao produto. Lindo, né? Tenho curiosidade pra conhecer projetos enviados ou designers que já tenham sido selecionados pra então saber do processo todo. Que essa ideia sirva de modelo porque estamos precisando!

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maio 23, 2012

Conserta-se móveis – tratar aqui

por thaís serafini

Você, designer brasileiro (ou estrangeiro, who knows), vai provavelmente se identificar com a filosofia desta dupla bem brasileira – goste ou não do resultado final. A Fetiche Design é Carolina Armellini e Paulo Biachhi, criadores de uma linha que dá título a esse post e que transformou dificuldades em oportunidades, com talento.

Nas ruas de Curitiba os designers garimparam móveis antigos e em estado ruim para interferir em suas estruturas fazendo-os funcionais de novo, com muito experimentalismo. A coleção é vendida pela Micasa e explora a estética do improviso, da mistura, dos defeitos e sinais que cada peça traz em si.

Prefiro deixar os responsáveis com a palavra sempre que possível, e neste caso elas explicam muito bem tudo o que está por trás de uma “simples” coleção de móveis. A entrevista foi concedida para a Casa Vogue em março. Aplausos para para o desabafo, para a ousadia e para a criatividade e conceito forte. Escolho os vasos criados a partir de peças quebradas e sobras do processo produtivo de uma empresa local como meus preferidos:

Passamos por dificuldades para conseguir entregar e desenvolver alguns produtos para a nossa marca. Por um lado, os pequenos fabricantes não se comprometiam com prazos ou qualidade. Por outro, as grandes indústrias só se interessam por grandes volumes e produtos que sejam bastante simples de ser produzidos. Se uma determinada peça tem certas “dificuldades” que tornam o produto mais inovador, elas já não se interessam, porque vai dar muito trabalho. Então acabamos ficando “órfãos” no que diz respeito à produção.”

“Então essa coleção reflete uma frustração nossa em relação ao apoio da indústria para o design mais inovador, mais contestador, ainda que seriado. Claro que essa é uma vivência nossa, bem particular. Talvez outros designers já tenham achado seus parceiros ideais. Essa coleção é o reflexo do que vivenciamos nesse ano de 2011. É uma espécie de desabafo.”