Posts tagged ‘#design holandes’

abril 1, 2014

O Salão do Móvel de Milão vem aí!

por thaís serafini

Há meses que já estão todos falando do Salone del Mobile, mas só nas últimas semanas que eu comecei a tentar organizar as ideias e voltar a ficar de olho no evento anual mais badalado do mundo do design. São tão numerosos os lançamentos, tantas as “novidades”, que é difícil fazer um apanhado completo de quem e o quê vai estar por lá.

Aí vão algumas das dicas que andei “pescando” mas, conforme o andamento do evento, vamos nos atualizando por aqui com o que tiver de mais interessante:

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A imagem acima é a “concept bike” DL21, um dos projetos do Peugeot Design Lab, uma das indicações da Marie Claire italiana (sim, revista não especializada mas que publicou algumas dicas bacanas). Depois de projetar relógios, barcos e bicicletas, a marca francesa deve apresentar mais uma novidade na Via Tortona. Além disso, a matéria indica as cerâmicas do espanhol James Hayon com a empresa vêneta Bosa (que estarão na pavilhão 5 em Rho) e na zona Ventura os estudantes holandeses do Koning Willem I College que, a convite do Dutch Slow Design, projetaram conforme critérios “slow”: materiais locais ou reciclados e processos de fabricação de baixo impacto ambiental (imagem abaixo).

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Entre os nomes brasileiros que estarão expondo por lá está a mostra Origens do Brasil, com curadoria da Adélia Borges e a Rio + Design (na Via Tortona), que vai reunir mais de 50 expositores brazucas sob o tema design para o cotidiano.

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Já na Triennale, a “casa do design italiano” e parada obrigatória para quem vai ao Salone, está na sua sétima interpretação e merece uma visita exploratória. O tema deste ano fala de momentos de crise econômica em que a produção material teve de ser repensada e acabou ganhando um estímulo criativo projetual ainda maior (como nos anos 30, 70 e 2000, denonimados pela mostra como os períodos cruciais). Na imagem abaixo, projeto escolhido do Formafantasma.

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O Salão do Móvel 2014 acontece de 8 a 13 de abril em Milão e você pode ler sobre as edições anteriores aqui.

 

agosto 15, 2012

Um editorial de objetos

por thaís serafini

Objetos, cores, cenários, contrastes – nós, designers, não resistimos a eles. Este trabalho lindo se chama Big Bright Beautiful e é obra da fotógrafa Floor Knaapen para a revista holandesa EH&I.

 

 

 

 

 

 

 

 

julho 12, 2011

Melvin, a máquina inútil

por thaís serafini

Existe um tipo de máquina que é criado especialmente para desempenhar uma tarefa simples da maneira mais ineficiente possível, muitas vezes utilizando-se do efeito de reação em cadeia. As máquinas chamadas Rube Goldberg foram então a inspiração do studio holandês de design HEYHEYHEY, que criou Melvin the Magical Mixed Media Machine. Segundo o grupo, o único propósito da máquina é promover sua identidade, já que enquanto executa as mil tarefas inúteis ele fotografa e faz vídeos da sua audiência, postando-os automaticamente para seu blog, Facebook e Twitter.

São 4 minutos de apresentação, pensados como um ‘super momento‘ no qual a performance é mais importante que o produto/resultado final, assistidos por mais de 14,000 pessoas durante os dez dias da Dutch Design Week 2010. Segundo alguns blogs que visitaram a semana holandesa de design (inveja branca), Melvin foi a atração mais disputada e comentada.

Melvin ganhou o meu coração pelos seus percursos criativos, mas principalmente por me fazer lembrar da abertura de um programa de TV que eu adorava na infância e não consigo lembrar o nome (aceito sugestões!).

 

junho 30, 2011

Todo o modernismo de Wim Crouwel

por thaís serafini

A lenda viva do design gráfico holandês, criador da fonte ultra-modernista Gridnik (imagem abaixo), andou tomando conta do twitter do Design Museum de Londres por meia hora no dia 23/6 para responder perguntas antes de uma palestra sobre o pioneirismo na cultura industrial. Confesso que não acompanhei ao vivo esse momento, mas felizmente a Wallpaper de alguns meses atrás já tinha me informado da existência de Wim Crouwel.

 

gridnik typeface

 

Nos anos 60 a sua empresa Total Design atendia tanto as instituições governamentais e culturais da Holanda quanto alguns grandes clientes corporativos e acabou por redesenhar o “look” oficial do país. Desde o início foi/é o defensor do design sem adornos, que considera “barulhos” irrelevantes, e confessa que não consegue desenhar nem o mais simples dos esboços sem usar um papel quadriculado.

A querida revista citada acima andou visitando a moradia do designer e ressaltou que, apesar de não ser milimetricamente organizada como poderia se esperar do grid-freak, cada objeto está ali por alguma razão. Abaixo estão algumas das suas escolhas e ele as explica assim:

Existe uma luta constante entre o que eu aprecio no trabalho de outros e as minhas próprias ideias. Mas geralmente, quando eu gosto de algo que difere muito do meu próprio trabalho, isso costuma reforçar o meu ponto-de-vista.

 

eames lounge chair

 

power play chair by frank gehry

 

red blue chair by gerrit rietveld

 

maio 26, 2011

A cadeira da repressão

por thaís serafini

O designer holandês mais querido dos ultimos tempos, Marten Baas, foi convidado pela Anistia Internacional para projetar em apoio à campanha contra a repressão a jornalistas, escritores, artistas e ativistas. A “Empty Chair” foi criada também para honrar o ganhador do prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, que não pode comparecer à cerimônia de premiação por estar cumprindo pena de 11 anos de prisão por “determinação do Estado” chinês.

O encosto da cadeira se transformou em uma escadaria de cinco metros de altura em direção ao céu simbolizando a luta contínua e longa (quase infinita) pelos direitos humanos. O projeto será apresentado neste final de semana em Amsterdam, na ocasião dos 50 anos da Amnesty International (Anistia Internacional).

abril 19, 2011

O melhor do Salone del Mobile 2011 (parte 1)

por thaís serafini

Tendo já participado ativamente da loucura e do exagero visual que é o Salone del Mobile, a também chamada designweek pela dimensão que atingiu nos últimos tempos, é quase imparcial analisar os frutos da edição deste ano somente pela internet. Porém, me arrisco a destacar alguns eventos/produtos que me pareceram mais significantes, por motivos diversos e até bem pessoais (coisa que não deixa de acontecer com aqueles que passaram a semana a perambular entre showrooms e coquetéis de puro marketing).

Com base na edição do ano passado, nas tendências mundias e nos rumos da indústria moveleira, eu já tinha arriscado dar alguns palpites por aqui. Os resquícios de três anos marcados pela recessão econômica, segundo a Alice Rawsthorn, continuavam presentes neste ano. Aliás, os cartazes sobre as eleições municipais do próximo mês espalhados pelas ruas de Milão, não deixaram que os escândalos políticos e a crise financeira do país fossem esquecidos. A jornalista autora das melhores críticas de sempre sobre o design ressaltou também que os fabricantes de mobiliário encontram-se ainda em situação frágil, o que poderia justificar a manutenção de linhas de produtos já existentes ao invés da criação de novas e o renascimento de algumas pequenas empresas familiares, que parece ser uma tendência forte apresentada na feira deste ano.

A opinião do designer Yves Béhar (cujo projeto é destaque a seguir), através do site da LS:N Global,  a busca atual é por uma “poesia da simplicidade, que vem em contraste com aos anos recentes de ostentação e consumismo”. As pessoas estão dispostas a pagar somente por produtos e experiências que consigam entregar soluções mais simples, sem elementos sobressalentes ou que considerem desnecessários.

Algumas palavras-chave poderiam também remeter ao conforto, à retomada de raízes e tradições antigas, à parceria entre tecnologia e materiais em busca de simplicidade e diminuição de custos.

Vamos aos meus elegidos? (em ordem aleatória)

Design for Download por Droog Design

O grupo holandês mais visionário e querido (por mim) lançou esta ferramenta virtual que promete ser a primeira plataforma para “downloadable design”, através da qual produtos podem ser criados, copiados, divididos e avaliados por usuários comuns de computador. Além de baixar os custos de etapas como produção, projeto, transporte e armazenagem, e facilitar a comunicação entre designers e consumidores, a Droog pretende fazer do design mais acessível a todos, pois acredita que “everything is makeable, anytime, anywhere, by anyone”.

Design Academy Eindhoven

Depois do grupo de design mais querido, esta é a escola de design (e de ideologia) que eu mais admiro. O blog italiano Designerblog contou que esta instalação, localizada em uma das zonas menos valorizadas na designweek (Porta Romana), proporcionou uma experiência mais intensa do que o resto do evento todo. A filosofia de base é aquela de uma atividade de problem solving, que se inicia por uma pesquisa para chegar em uma pergunta (lembram da instalação da escola no ano passado ?) e fazer do projeto uma resposta lógica e concreta, mas ao mesmo tempo humana e inimaginável. Tratava-se de mais do que instalações: a Design Academy convidou os visitantes para palestras, conversas e debates durante o café da manha, apresentando projetos de alunos e graduados, parcerias, com base nas diferentes visões sobre o mundo.

Exemplos dos mais incríveis são: o projeto de Yves Behar, um dispositivo para livrar de minas os territórios do Afeganistão que precisa apenas da força do vento e dispensa o perigoso intervento humano; e os estudos de padrões têxteis criados não pensando no consumidor final mas sim nos artesões fabricantes: pessoas com doenças mentais que tem facilidade de tecer uma determinada trama. (Tour no site http://www.designacademy.nl/SaloneMilan2011.aspx)

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o dispositivo de Yves B. e os padrões em tecido ao fundo

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detalhe do projeto

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Design Academy Eindhoven @ Milan 2011

“Stadsmuziek” de Akko Golembeld, também no interno da instalação da Design Academy Eindhoven:

“Qual o som de uma cidade? Quais os tons produzidos pela sua arquitetura e urbanística?” As respostas são apresentadas através de um cilindro gigante de madeira, com o modelo em escala da cidade de Eindhoven, que transforma as dimensões e distâncias dos seus edifícios e construções em uma experiência auditiva.