Posts tagged ‘#enzo mari’

abril 27, 2012

Enzo Mari hoje

por thaís serafini

Que triste ironia ficar sabendo de que o maestro Enzo Mari está gravemente doente no dia em que ele completa 80 anos. Como fã de tudo que ele representou (e representa) para o design, reproduzo a minha tradução livre de uma carta escrita pelo também designer Giulio Iacchetti, dedicada a este silêncio forçado da parte de Mari.

E que as próximas notícias sejam boas!

“Querido mestre,

o silêncio é a cura que decidiu impor a sua vida há três meses. Por tantos anos e em tantas ocasiões escutamos sua voz, nos irritamos com suas frases peremptórias, mas também nos apaixonamos pelo nosso trabalho com a paixão que costumava infundir em que o escutava, guardamos suas histórias pronunciadas com um fio de voz e depois as palavras trovejantes que caíam cortando as nossas veleidades de projetistas.

Agora este silêncio nos ensurdece de modo doloroso: bem no momento em precisamos mais de você e do seu olhar que conseguia chegar na consciência de cada um colocando interrogações no nosso papel, no sentido do nosso fazer.

Mas talvez a verdadeira lição você nos esteja ensinando há tempos: dar espaço ao silêncio poderia ser o único antídoto para nortear o mar de superficialidade e tagarelice no qual estamos imersos todos os dias.

Com afeto,

Giulio Iacchetti”


abril 13, 2012

Faça você mesmo?

por thaís serafini

Sendo fã de Enzo Mari, insegura quanto a essa onda moderna do DIY mas defensora de uma nova postura de consumo, compartilho as sugestões e ideias vistas esta semana.

2dmblogazine indica três livros na linha faça-você-mesmo para quem deseja se aprofundar de verdade no assunto: “How to make it without Ikea” de Thomas Bilass, “Home-Made:Contemporary Russian Folk Artefacts” de Vladimir Arkhipov e o tal “Autoprogettazione” de Enzo Mari – que terá, inclusive, versões revisitadas lançadas este ano no Salone del Mobile (yey!!).

 

Não os tendo lido, fica difícil opinar, mas vale o convite pra refletir numas palavrinhas traduzidas diretamente da fonte:

“Não é preciso dizer que o homem moderno é um animal preguiçoso. Enquanto nossos cérebros vão ficando mais e mais elétricos, nossas mãos se tornam patas em forma de mouse. Enquanto nossas vidas ficam mais e mais confortáveis, nós deixamos nossa natureza homo habilis naufragar no esquecimento. Enquanto nossos pais eram capazes de construir casas do zero, nos sentimentos ansiosos ao trocar uma lâmpada. A cultura materialista tirou nossa autonomia, nos privou da felicidade que só sentimentos ao construir coisas com as nossas próprias mãos.

O recente ‘revival’ da cultura faça-você-mesmo é somente um mito ou pura moda, pois ainda corremos para a Ikea assim que precisamos de uma simples prateleira ou mesa de trabalho. Apesar de estarmos provavelmente cheios da pregação do DIY, ela parece não ter tido efeito real.”

maio 31, 2011

Qual o objeto ideal que você gostaria de ter criado?

por thaís serafini

Esta é uma pergunta recorrente ao designer italiano Enzo Mari, e sua resposta é sempre a mesma, porém bem justificada: “O objeto ideal a ser inventado é a bola! Você começa a brincar com ela com um ano de idade e pode usá-la até os noventa, cada vez a bola permite que você invente novas regras, nunca é condicionada“.

Seu recém-lançado livro25 modi per piantare un chiodo” (25 modos de fixar um prego) alterna fatos e lembranças desde sua infância, faz reflexões sobre os seus sessenta anos de projetos e sobre a prática do design, que em suas palavras “fazer design, projetar, é um instinto inerente ao homem, assim como o instinto de sobrevivência, a fome, o sexo”. Considerado também um livro polêmico, pois Mari é abertamente contra as práticas atuais dos designers, que se resume a servir à industria para para produzir bens.

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O mestre italiano sempre trabalhou muito próximo à teoria do design como poucos, e buscava também uma maneira de teorizar a relação entre a forma e a função de um produto, pois este é um confronto constante para os designers.  “A forma deve ser eterna, longe de tendências da moda e convenções (como muitas das coisas feitas por artesões do passado, que são ricas em elegância natural). Mas é claro que a forma não pode prevalecer a função, independente de quais funções, caso contrário é um ornamento“.

Não só os belos pensamentos são presenteados aos leitores: o livro contém diversos desenhos e esboços de Enzo Mari, como este que selecionei no post do Designboom e trata-se de uma homenagem aos salvadores do mundo: as crianças. Enquanto os pequenos começam a descobrir o mundo pelas próprias mãos para depois construir com a experiência as suas teorias e descrições, os adultos “ensinam” a partir de um absurdo de regras pré-existentes, pois acreditam que assim se possa aprender a fazer e a ‘pensar’.

 

 

abril 8, 2011

Como não ver algo

por thaís serafini

O artista alemão Tobias Rehberger, fascinado pelo paradoxo de criar para não ver algo (“not seeing something“), da camuflagem e até da invisibilidade (um super-poder que eu adoraria ter), buscou a inspiração na pintura que os navios de batalha recebiam na primeira e segunda guerra mundial. O resultado é o perfeito dazzling effect que ele buscava na instalação “Nothing happens for a reason” com parceria da empresa finlandesa Artek para o Logomo Café.

O artista ja foi premiado com o Golden Lion na Bienal de Veneza em 2009 e decidiu seguir a mesma veia artística de então: uma brincadeira entre elementos gráficos com quase nada de cores. Mesmo utilizando peças ícones do design fabricadas pela Artek (como a histórica cadeira ‘Sedia 1’ do designer italiano Enzo Mari) o artista optou por misturar e disfarçar o mobiliário com o espaço, como uma única unidade, dando prioridade à experiência sensorial.  A exploração dos limites entre o que é 2D ou 3D é muito curiosa e, na minha opinião, deve ser ainda mais interessante visualizar as pessoas interagindo com esse espaço, como numa outra dimensão.

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A cadeira 'Sedia 1' de Enzo Mari por Artek