Posts tagged ‘#gaetano pesce’

julho 1, 2014

Gaetano Pesce e as mulheres em Roma

por thaís serafini

Provavelmente você conhece bem a famosa poltrona UP5&6 do mestre Gaetano Pesce, certo? O que provavelmente você não sabia (assim como eu) é o que existe por trás da sua criação:

up

 

Na ocasião da recém inaugurada mostra de Pesce no Maxxi de Roma, uma versão gigante da poltrona terá o importante papel de continuar a crítica lançada pelo autor na época da criação da Up, lá em 1969. Ele mesmo explica:

“Esta cadeira, que metaforicamente liga com uma corrente o corpo feminino à uma bola, foi concebida para denunciar a condição de prisioneira a qual a mulher é condenada pelos preconceitos masculinos. Dentro da (nova versão de 7 metros de altura da) poltrona estarão algumas telas que exbibirão vídeos informativos sobre as condições da mulher em diversos países, além de um tributo especial à Malala Yousafzai: uma mulher símbolo das lutas para o melhoramento das condições femininas. As pessoas poderão entrar e assistir. […] A pesquisa artística não deve ser o fim de si mesma mas pode documentar uma realidade cruel como aquela que emerge de uma série de casos que acontecem no mundo todo e tem as mulheres como vítimas.”

pesce

via

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dezembro 26, 2011

Gaetano Pesce: entrevista e studio

por thaís serafini

Outro post para finalizar esse 2011 não poderia ter assunto diferente: design italiano. Minha admiração não é novidade pra quem acompanha o design por aqui, e Gaetano Pesce é figurinha mais que conhecida deste blog.

Pois então que falar das ideias de Pesce, mostrar algumas imagens do seu studio em New York – onde vive desde os anos 80 – e destacar alguns trechos de uma entrevista sua é sim boa oportunidade para finalizar uma etapa (2011) e começar outra. E falemos do futuro: para ele, o que irá nos salvar é a felicidade em criar e a diversidade humana. Uma das descobertas que considera mais importantes em sua carreira é o cuidado com o uso do termo “igualdade“, pois acredita que se o mundo for globalizado para tornar todos os homens iguais haverá uma enorme perda.

 

“Indivíduos que são diferentes uns dos outros permanecem indivíduos livres, com pensamentos autônomos, não se conformam. E o contrário é que os grupos que tentam agregar pessoas em grandes movimentos em massa invocam o medíocre. Os ingleses dizem que se um grupo quer desenhar um cavalo, ele sai como um dromedário, no sentido de uma versão ruim de um cavalo. Para mim, essas aceitações políticas dos termos ‘grupo’ e ‘massa‘ pertencem ao passado.”

Quando perguntado sobre como ele costuma combinar a inovação e a sustentabilidade em seus projetos, a sinceridade continua: “Sustentabilidade não me interessa muito. Eu acredito em progresso e se envolve riscos para o ambiente, outra pessoa vai ter que consetá-los. Pense na eletricidade, por exemplo. Se naquele tempo alguém tivesse dito ‘a eletricidade é um risco, vamos impedi-la”, teria bloqueado o desenvolvimento da raça humana. E com o passar do tempo, dada a importância da eletricidade, alguém conseguiu estabelecer procedimentos seguros e as normas necessárias.”

Conselhos para os jovens designers e estudantes? “Estou convencido de que seria bom que a juventude tivesse em mente algo que aprendi: as Verdades não existem, não existe uma lógica para todo mundo, os valores variam. E não contem muito com o que irão aprender nas escolas, aprende-se muito por conta própria”. Prova disso é que eu mesma nunca ouvi nenhum professor me falar de Gaetano Pesce.

junho 9, 2011

A Bienal de Veneza

por thaís serafini

Do dia 4 de junho a 27 de novembro está aberta ao publico a 54a exposição internacional de arte da Bienal de Veneza, chamada também de ILLUMInazioni (algo como ILUMInações). Como críticos, artistas e imprensa já tiveram acesso VIP aos ‘pavilhões’ de cada país distribuídos na cidade-mais-linda-do-mundo, muita coisa já foi avaliada e publicada online.

Comentar à distância um evento dessa grandiosidade é tarefa ingrata, mas me arrisco a recolher aqui algumas impressões do que li e ouvi falar sobre instalações que me interessaram particularmente.

O artista indiano Anish Kapoor, que já foi tema por aqui, é responsável por um projeto lateral da Biennale na Basilica di San Giorgio. “Ascencion” é uma instalação que explora a fumaça como um material, tentando transformá-lo em tangível através de uma coluna que sobe da base para a nave da igreja (com ajuda de um sistema adequado de ventilação). A exibição foi desenvolvida em parceria com a marca italiana de café Illy (por isso a sugestiva fumaça!) e apresenta também um set de xícara e pires desenvolvidos por Kapoor, com suas características superfícies refletoras.

 

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“No meu trabalho ‘o que é’ e ‘o que parece ser’ se confundem. O que me interessa é a imaterialidade virando um objeto.” (A.K)

 

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Outro projeto que envolve uma marca italiana famosa, o design e um espaço local de Veneza é a Ca’ Corner della Regina pela Fondazione Prada.  O belíssimo prédio, construído entre 1724 e 1728, estava vazio nos últimos anos até as autoridades terem cedido o espaço à fundação, alugado inicialmente por seis anos, para exibir a coleção de arte contemporânea de Miuccia Prada e seu marido Patrizio Bertelli (chief executive da Prada).

Além do nosso conhecido Anish Kapoor, trabalhos importantes de artistas como Maurizio Cattelan, Damien Hirst, Lucio Fontana e Jeff Koons dividem atenções com o incrível interior do prédio.

 

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ca-corner

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Quanto ao pavilhão de arte da nação anfitriã, existem opiniões divididas: o 2dmblogazine comenta a falta de sentido e de ligação entre os trabalhos ali apresentados. O pavilhão deveria ser uma comemoração dos 150 anos da unificação da Itália, porém foi considerado uma ‘bagunça‘, pois segundo o editor do blog, trabalhos de duvidosa qualidade e outros sem um contexto específico, acabarm por deixar sem sentido a exposição. Outros, porém, defendem que esse panorama confuso é uma representação exata do momento difícil vivido pelo país.

italian pavillion

 

italian pavillion

 

italian pavillion

 

A eterna questão ‘o que é arte?‘ (e o que não é) foi bem presente nessa exposição, que trouxe também algumas peças do designer Gaetano Pesce, dizem que os curadores acharam que o poder desse nome traria maior credibilidade. Escolhida para recepcionar o público esta a sua Itália crucificada L’Italia in Croce“, antes apresentada na Triennale de Milão, e que já tinha me chamado atenção e portanto foi assunto de outro post.

Já que alguns (vários) quilômetros me separam fisicamente de Veneza (snif), pretendo continuar a comentar a Biennale à medida que as fontes relativamente confiáveis publicarem materiais a respeito. Enquanto isso, continuamos (todos, eu espero) a nos questionar, como faz o povo na Itália, sobre o que pode ser chamado de arte e o que não pode. Entretanto, é consenso internacional de que se existe algum país no mundo com poder e respaldo sobre o assunto é esse mesmo.

 

 

 

 

abril 25, 2011

O maestro que colocou o país na cruz

por thaís serafini

É difícil parar de citar o design italiano e o recente Salone del Mobile (que vai ter repercussão por um bom tempo ainda), mas a instalação do mestre Gaetano Pesce, inaugurada durante o evento, é digna de uma menção bem honrosa.

Ano passado tive a grande chance de participar de uma palestra do grande designer, na qual ele ressaltou constantemente a importância de valorizar as diferenças, seja em pessoas, produtos ou no corpo humano, já que segundo ele os seres humanos, como as frutas, são sempre diferentes apesar de semelhantes. Gaetano é autor de uma série de produtos e projetos que valem uma busca com carinho (já falei de algumas por aqui) e resolveu retratar o mapa da Itália crucificado como um ‘ator de amor‘ para um país que sofre.

pesce para triennale

Segundo o autor, o objetivo é levantar discussões e polêmicas, um debate sobre o pessimismo e as críticas contínuas, resultado de políticas moralistas e e conformistas. “Chegou a hora de virar a página. A Itália é uma nação maravilhosa, mas se continuarmos assim ela não conseguirá mais sustentar tantos ataques e assim seremos ainda mais pobres. A minha instalação é um convite à reflexão, a rezar para que a Itália melhore.”

Para um efeito ainda mais dramático, Gaetano usou pedaços de carne de verdade para criar os modelos, que foram então substituídos por resina. A instalação “L’Italia in Croce” pode ser visitada na Triennale Design Museum até o dia primeiro de maio.

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