Posts tagged ‘martino gamper’

março 7, 2014

Estantes e design emocional em Londres

por thaís serafini

Design conceitual e emoção x design racional e função. Esse paralelo de ideias dita o tom do texto mais recente da crítica de design mais-mais Alice Rawsthorn no New York Times (confira na íntegra aqui).

A “Design is a state of mind“, exposição recém inaugurada sob a curadoria do designer italiano Martino Gamper na Serpentine Sackler Gallery (Londres), tem como foco os poderosos laços entre as pessoas e seus objetos. Nas palavras da autora “Gamper espera que os visitantes, ao ver os objetos da mostra, se sintam encorajados a reavaliar os produtos das suas próprias vidas e a cultura de design que os produziu”.

Cinco anos antes, a galeria sediava sua primeira mostra dedicada ao design, que teve o designer alemão Konstantin Grcic como curador. Segundo Rawsthorn, são praticamente inexistentes as similaridades entre os designers e suas mostras.

A “Design Real” explorava a influência do design industrial na cultura contemporânea, o que reflete o próprio perfil do designer alemão, “que usa a experimentação com tecnologias avançadas para produzir produtos inovadores e funcionais em escala industrial“. Já Gamper, favorece uma abordagem mais intuitiva ao design, abusando de características artesanais e cheias de improviso. (Fica a dica: a trajetória do designer italiano mistura arte, design e artesanato com objetos encontrados na rua e parcerias com indústrias moveleiras, vale ir pesquisar mais sobre o moço!).

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A “Design is a State of Mind” traz coleções selecionadas por amigos e colaboradores do curador, com a condição de que tenham profunda importância sentimental para seus donos. Entre os participantes, livros do publisher Simon Prosser, itens IKEA e Gaetano Pesce e objetos usados pelo mestre Enzo Mari como pesos de papel. Mais um fator inusitado nesta mostra de design é ver o destaque ser transferido das sempre famosas cadeiras para as “alternativas” estantes. As escolhidas pelo curador da mostra são variadas, partindo de um móvel inglês de 1934 até itens mais recentes produzidos por ele mesmo. O mobiliário acabou ganhando posição de protagonistas, indo além da sua função como expositores de objetos.

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Para mim, as abordagens e os trabalhos de Grcic e de Gamper se complementam. Juntos, seus perfis formariam um conceito completo de design por levar em conta tanto os fatores emocionais quanto os racionais. Além disso, me fazem pensar em uma outra incrível exposição de design (“Quali cose siamo”, de 2010 em Milão, e que já foi assunto aqui) e que destaca ainda mais a importância dos objetos das nossas vidas, afirmando que eles fazem parte daquilo que somos.

Se você estiver por Londes e conseguir visitar a mostra, vem me contar o que achou!

*A primeira imagem é a “Robot Chair”, do próprio Martino Gamper (2008). Já a segunda traz a “Nuvola Rossa”, de Vico Magistretti, 1977, fabricada pela Cassina (via L’Arco Baleno).

abril 25, 2012

100 cadeiras em 100 dias

por thaís serafini

A simpatia deste blog com o designer Martino Gamper não é de hoje. E também não é gratuita, por mais que eu não consiga encontrar as palavras que gostaria para descrever. Pesquisando um pouco mais sobre eventuais participações do designer no Salão do Móvel deste ano, descobri que a opinião de Gamper é que o Salone deveria se tornar bienal, para tentar elevar a qualidade dos projetos. Quanto a sua carreira, pensa em parar de projetar logo logo. Esperamos que não seja assim uma decisão tão radical, por mais que seus argumentos sejam bem fortes.

Enfim, indo direito ao projeto, hoje o assunto é o “100 chairs in 100 days“, que nasceu há dois anos quando o designer iniciou a coleta de cadeiras descartadas nas ruas e em casas de amigos. A segunda parte sim foi caraterizada pelos cem dias, nos quais Martino reconfigurou cada uma delas. Como em um passe de mágica, nasceram novas criaturas e peças híbridas a la Frankenstein, porém cheias de simpatia e experimentação.

“Minha intenção é investigar o potencial para criar novos projetos úteis ao misturar estilos e elementos de tipos de cadeiras existentes. Eu vejo essa como a chance de criar um ‘sketchbook tri-dimensional’, um conjunto de designs divertidos e provocativos. Assim como possivelmente criar alguns modelos que possam vir a ser produzidos em massa, […] espero que minhas cadeiras ilustrem – e celebrem – as ressonâncias geográficas, históricas e humanas do design.

As histórias por trás das cadeiras são tão importantes quanto seu estilo ou função.”

 

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janeiro 6, 2012

Design para as Olimpíadas de Londres 2012

por thaís serafini

Será uma ótima oportunidade de “comprovar” essa história de o Brasil ter superado o Reino Unido como sexta maior economia do mundo. Sim, porque a capital inglesa será sede dos Jogos Olímpicos neste ano e o Rio de Janeiro será a próxima, em 2016. Na prática, veremos quem lida melhor com uma infinidade de problemas e situações que nada tem a ver com esse upgrade que deram à nossa economia.

Enfim, o assunto na verdade são estes dois projetos de design diretamente relacionados às Olimpíadas de Londres. O primeiro tem todo a minha admiração por um designer que já foi falado – e elogiado – por aqui. Martino Gamper foi comissionado pela London Thames Gateway Development Corporation para criar o mobiliário urbano da Olympic Fringe Area e de zonas próximas ao Estádio Olímpico. Além de melhorar o visual da área que será muito visitada, o projeto incentivou um percurso não muito utilizado da zona e utilizou ainda materiais recicláveis e reutilizados para os bancos e demais estruturas.

As linhas quase desajeitadas porém simpáticas são clássicas de Martino Gamper e conferiram ainda mais valor e originalidade ao projeto urbano.

E agora o segundo projeto: uma moeda comemorativa lançada para comemorar o ano das Olimpíadas, criada por Neil Welfson para explicar um tema complicado com poucos recursos. A nova edição da moeda de 50 centavos de libra ganhou uma ilustração que tenta explicar a regra do impedimento no futebol. Segundo a fonte ainda, o criador foi às ruas de Londres para saber se as pessoas entenderam a explicação, mas muitos entrevistados disseram não conseguir compreender o seu desenho. Admiro a iniciativa e, realmente, era tarefa complexa!

setembro 27, 2011

design fora das vitrines por Martino Gamper

por thaís serafini

Esse projeto do Martino Gamper já tinha sido assunto por aqui quando falou-se de projetos sustentáveis porém igualmente interessantes no visual. O artista andava já pelas ruas à procura de móveis e peças abandonadas para construir a mostra Condominium, inaugurada dia 22 deste mês (vai até dia 15/10).

A mostra é sediada em Turim, num prédio apelidado de ‘fatia de polenta‘ pela sua forma absurda, mas não me perguntem muitos detalhes técnicos e arquiteturais pois é difícil compreender estas coisas italianas só por fotos… Eis que o prédio é ocupado pela Galleria Franco Noero, a convite de quem o designer projetou os diversos espaços como casas habitadas por muitas pessoas, formando o tal condomínio.

Como diz a autora da minha review-fonte: “A instalação se anuncia irresistível. E uma visita marcada consegue somente confirmar. É uma pena que o design (em Milão) permaneça (quase sempre) dentro das vitrines.

 

 

agosto 15, 2011

sustentabilidade bonita

por thaís serafini

Como designer e pessoa um pouco consciente, defendo projetos sustentáveis praticamente acima de tudo, mas isso não quer dizer sem critérios. Muitos se dizem ecologicamente corretos sem nem ter a dimensão do que isso significa por completo (por exemplo, o que vem a ser um banco sustentável que a gente vê nas propagandas..?).

Acredito também que um produto criado dentro dos parâmetros da sustentabilidade precisar ser, no mínimo, tão atraente no visual quanto os demais produtos.É difícil um produto competir nas vendas quando ser sustentável significa, além de muitas vezes ser mais caro, ter cara de reaproveitado/reciclado/ecológico.

Nesse mesmo assunto, a última coluna da ídola Alice Rawsthorn no NYT dividiu alguns exemplos em um ‘estudo’ quanto ao nível de responsabilidade ecológica e o de atrativos estéticos em: 1) responsáveis e não desejáveis, 2) desejável mas não responsável, 3) responsável e desejável.

Abaixo estão as imagens de dois exemplos da primeira categoria: o Samsung Replenish, construído com 35% de de plástico reciclado e que tem outros 82% de materiais recicláveis. Além disso, tem como opcional uma ‘capa’ para a bateria que é um carregador solar. Para os olhos da crítica Alice o modelo parece desajeitado, com cores berrantes e utiliza tipografia de gosto duvidoso.

replenish samsung

Quanto à cadeira a seguir (“Chairs, chairs, chairs. Design magazines, books and museums are stuffed with them“), chama-se Zartan e é obra do renomado Philippe Starck com a italiana Magis. O material, ainda em desenvolvimento, será um formulado orgânico especial que será reciclável e biodegradável, perfeito, não? Porém não tem tantos pontos a favor quanto se trata de estética, especialmente quando comparada aos milhares de outros modelos de cadeiras mais interessantes e menos responsáveis, muitas desenhadas pelo próprio Starck.

zartan chair

E, finalmente, Ms. Rawsthorn cita um projeto que ganharia o simbólico troféu e está atualmente em desenvolvimento: o designer italiano Martino Gamper tem garimpado as ruas de Turim à procura de elementos que possam ser transformado em novo mobiliário. Considerado seu projeto mais ambicioso, deve ser apresentado na mesma cidade em setembro, e eu já estou curiosa!