Posts tagged ‘#philippe starck’

junho 7, 2012

Starck entre o reciclável, o reciclado e a fama das cadeiras

por thaís serafini

Alguém ainda consegue argumentar com o designer mais estrela dos nosso tempos? Alguém que diz que o mundo precisa produzir e consumir menos mas continua engordando o bolso com projetos de grife? Ok ok, críticas à parte, longe de mim desmerecer o designer Starck e o que ele tem representando – quando é para o bem dos outros designers também.

Agora fico aqui me perguntando se fazem anos demais que acabei a faculdade e parei de estudar materiais e fabricação e posso ter esquecido detalhes, ou se o Mr. Philippe é realmente muito espertinho e pretende me dar um nó com essa história de cadeira sustentável.

A parceria com a Emeco realmente parece ser valiosa (tem mais aqui) para uma empresa importante que estava por afundar de tanto fabricar sempre a mesma cadeira. Mas a intenção por aqui é, na verdade, discutir o quanto de positivo tem no lançamento da cadeira Broom e quanto disso é marketing (ou desconhecimento meu?).

A cadeira Broom teria levado 10 anos de estudo para chegar à fórmula perfeita de um material capaz de criar a cadeira completamente reciclada. Sem desmerecer o esforço tecnólogico de empresas parceiras como a BASF, é importante diferenciar que o material criado é reciclado, porém dificilmente será reciclável.

O uso de serragem com adição de um polímero cria um compósito, a união de diferentes materiais mas que dificulta processos seguintes pois a sua ‘separação’ é quase impossível. Segundo fontes mais confiáveis: “Em razão de sua flexibilidade, os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados, sendo um dos exemplos mais claros a reciclagem de garrafas PET. Os compósitos, ao contrário, são rígidos em razão da maior complexidade em sua formação química, com ligações cruzadas que dificultam o seu processamento.”

E sabe o Starck tem a dizer a respeito deste “pequeno” detalhe? “Starck acredita que reciclagem foi uma grande mentira que as pessoas do marketing criaram para convencer o público a consumir e jogar fora. Ele acredita que se você tem a tradição de fabricar algo bem, você nunca irá precisar reciclar as coisas”.

O ideal seria, realmente, poder pensar em produtos com laços suficientemente fortes (entre outras características muito importantes) que incentivem o seu usuário a não descartá-las tão facilmente. Porém me parece não muito honesto da parte de um designer divulgar apenas uma parcela de toda a sua atividade projetual, a parcela que mais convém para chamar exatamente a atenção da mídia. Não chegamos ainda à utopia de poder criar produtos sem pensar no seu possível fim.


Anúncios
abril 20, 2012

Salão do Móvel 2012: Lenny Kravitz designer?

por thaís serafini

São tempos realmente tristes engraçados para os designers: enquanto aqueles que estudaram mal conseguem sobreviver (quando alguma empresa decide dar a chance, é claro) as celebridades que precisam acabar com o tédio e ganhar atenção da mídia, acordam e resolvem assinar uma linha “design”. Salvo algumas raras exceções das quais nascem produtos realmente interessantes, a maioria acaba por aplicar o famoso Styling somente.

Eis que a Kartell resolveu apresentar no Salão do Móvel uma coleção produzida por Lenny Kravitz em parceria com Philippe Starck, que havia projetado a cadeira Mademoiselle há alguns anos. A ideia foi escolher texturas e tecidos exóticos para reinterpretar a peça imprimindo o estilo pessoal do rockstar. Parece que Mr. Kravitz tem até um studio de arquitetura próprio mas, de qualquer maneira, espero que a Kartell tenha outras cartas na manga para apresentar neste Salone (e poder chamar de design).

imagens via

novembro 22, 2011

Starck e o futuro

por thaís serafini

Realmente esse Phillipe Starck é uma figura de difícil definição. Eu escolheria algo entre polêmico, oportunista e divertido para caracterizar o designer francês. Depois de acumular fortuna e fama com produtos inúteis ele vem dizer que prefere ajudar as pessoas que fazer design. Ok, a intenção (parece) ser boa, como neste trecho de uma entrevista concedida por ele no Brasil, onde esteve para lançamento da cadeira Masters da Kartell. Confira e opine (a seguir, conheça a Masters):

“O futuro da casa é menos. Menos móveis, menos objetos, menos tudo. Assim como os computadores, as casas devem perder a materialidade, mas ganhar inteligência. […] Precisamos parar de crescer para evoluir. E o futuro do design é não ter futuro.”

agosto 15, 2011

sustentabilidade bonita

por thaís serafini

Como designer e pessoa um pouco consciente, defendo projetos sustentáveis praticamente acima de tudo, mas isso não quer dizer sem critérios. Muitos se dizem ecologicamente corretos sem nem ter a dimensão do que isso significa por completo (por exemplo, o que vem a ser um banco sustentável que a gente vê nas propagandas..?).

Acredito também que um produto criado dentro dos parâmetros da sustentabilidade precisar ser, no mínimo, tão atraente no visual quanto os demais produtos.É difícil um produto competir nas vendas quando ser sustentável significa, além de muitas vezes ser mais caro, ter cara de reaproveitado/reciclado/ecológico.

Nesse mesmo assunto, a última coluna da ídola Alice Rawsthorn no NYT dividiu alguns exemplos em um ‘estudo’ quanto ao nível de responsabilidade ecológica e o de atrativos estéticos em: 1) responsáveis e não desejáveis, 2) desejável mas não responsável, 3) responsável e desejável.

Abaixo estão as imagens de dois exemplos da primeira categoria: o Samsung Replenish, construído com 35% de de plástico reciclado e que tem outros 82% de materiais recicláveis. Além disso, tem como opcional uma ‘capa’ para a bateria que é um carregador solar. Para os olhos da crítica Alice o modelo parece desajeitado, com cores berrantes e utiliza tipografia de gosto duvidoso.

replenish samsung

Quanto à cadeira a seguir (“Chairs, chairs, chairs. Design magazines, books and museums are stuffed with them“), chama-se Zartan e é obra do renomado Philippe Starck com a italiana Magis. O material, ainda em desenvolvimento, será um formulado orgânico especial que será reciclável e biodegradável, perfeito, não? Porém não tem tantos pontos a favor quanto se trata de estética, especialmente quando comparada aos milhares de outros modelos de cadeiras mais interessantes e menos responsáveis, muitas desenhadas pelo próprio Starck.

zartan chair

E, finalmente, Ms. Rawsthorn cita um projeto que ganharia o simbólico troféu e está atualmente em desenvolvimento: o designer italiano Martino Gamper tem garimpado as ruas de Turim à procura de elementos que possam ser transformado em novo mobiliário. Considerado seu projeto mais ambicioso, deve ser apresentado na mesma cidade em setembro, e eu já estou curiosa!

junho 20, 2011

O designer de hoje não deveria

por thaís serafini

 

starck