Posts tagged ‘#processo criativo’

outubro 28, 2015

Criatividade & Medo

por thaís serafini

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Para muitas pessoas, se expressar de maneira criativa é natural e fácil. Para outras, é o ponto de encontro de muitos medos. O terror da folha em branco é um velho conhecido de muitos…

Parece loucura relacionar criatividade com medo, mas faz muito sentido. Na sua coluna mais recente, Oliver Burkeman levantou o assunto ao falar do Big Magic, livro novo da Elizabeth Gilbert (sim, a mesma do ‘Comer, Rezar e Amar’) sobre criatividade. Para Burkeman, a atividade criativa é assustadora por diversos motivos, que acompanham muitos de nós: medo de ser ridículo, medo do julgamento, medo de descobrir que não temos talento… Na infância, pais e professores muitas vezes sufocam iniciativas ditas criativas das crianças e existem inclusive teorias que sugerem que a dificuldade de ser criativo e inventar algo novo faz parte do percurso evolutivo do ser humano – a inventividade não se mostra muito produtiva em momentos de luta pela sobrevivência.

Se a expressão criativa pode ser associada ao medo, surge então a questão: como podemos nos tornar mais criativos, mais livres e menos medrosos?

E aqui ressurge a proposta do livro Big Magic, citado lá no início:

“Por mais que possa parecer banal, prefiro a abordagem de Gilbert, que essencialmente consiste no tratar o medo como uma irmãzinha menor ou um animal doméstico que nós amamos mesmo que coloque em prova nossa paciência.

O truque, para quem consegue, não é ignora-lo, ou supera-lo sem ouvir os seus conselhos, mas sim dar espaço a ele. Gilbert usa a antiga e útil analogia da viagem de carro: o medo viaja sempre com nós, e tudo bem, mas não significa que devemos dar a ele o volante.”

 

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março 2, 2012

O processo criativo do Nike Stefan Janoski

por thaís serafini

Esta é uma participação indireta muito especial para mim e veio direto deste post aqui, que ilustra a criação de um item que eu não costumo dar tanta atenção assim. Stefan Janoski é o skatista que deu nome a esse modelo da Nike Skateboarding e, obviamente, pariticipou da concepção do projeto junto ao designer James Arizumi. Compartilho aqui algumas imagens e trechos de uma entrevista com Arizumi falando sobre o interessante processo e conceito por trás do modelo que aliás, eu acho bem lindo:

“Quais eram tuas metas pessoais em fazer esse modelo?
No fim, eu realmente queria fazer um tenis que representasse bem o Stefan. Claro, precisamos dele pra desempenhar uma boa performance no esporte, mas tambem queriamos que as pessoas o podessem usar no dia-dia, por exemplo, após a sessão. Eu creio que não existem muitos tênis com esse perfil.

E quais foram os desafios no desenvolvimento de um tenis que pode ser tanto para o skate como casual?

Passamos por três diferentes protótipos diferentes. Então, foi o que atrasou o lançamento dele, e para ser honesto, não aconteceu como um todo. Por fim, no “final do jogo”, eu me “deitei” sobre os desenhos e o Stefan me ligou e disse “É isso!”, o que foi bom, por que era nossa ultima chance. Foi como eu disse, o Stefan é dificil de agradar, mas isso por que ele sabe o que quer, e não se contenta com pouco. O resto do processo foi de sintonização e ajustes finos nos detalhes.

Feliz com o resultado?

Como designer, há tantas coisas que eu já projetei e não usei. Mas esse eu uso! E melhor, o Stefan usa o tempo todo. Eu conheço um monte de skatistas profissionais que não usam seu proprio Pro Model.

Tu tem planos prum possível Janoski II ?

Claro! Todo Pro model tem sua continuação, mas a edição do segundo modelo realmente vai ser um desafio. Eu gosto de fazer tenis que são uma espécia de “cápsulas do tempo”. Gosto de pensar que os tenis tem seu tempo certo de lançamento, como nas séries Jordan. Stefan poderia mudar seu estilo de andar, e o modelo do tenis iria mudar com ele. Bem, nós todos temos que esperar e ver o que acontece.”

março 29, 2011

Obsessivamente interessado em tudo

por thaís serafini

Assim o designer gráfico Michael Wolff se descreve, pois para ele, saber enxergar e viver a vida apreciando tudo é o mais importante. O vídeo a seguir é do projeto Intel Visual Life, que disponibiliza conteúdos inspiradores e muito bem executados.

O ritmo do vídeo cria um paralelo entre o que seriam as etapas da preparação de um jantar e o processo detalhista de design do artista: desde o pensamento inicial, o caminho de casa até o supermercado, a escolha de cada ingrediente (“a marca é a lembrança de algo para futuras referências”), a preparação na cozinha como partes de um todo (“todos sabem que o todo, como um jantar, é melhor do que suas partes separadas, mas ninguém lembra que é somente através delas que o todo é realizado”) até o momento de servir o prato final à mesa e aos convidados.

“Curiosidade, questionamento, apreciação, percepção e a imaginação são os músculos sem os quais eu não conseguiria desenvolver meu trabalho.” – M.W.