Posts tagged ‘#sustentabilidade’

junho 9, 2014

Sobre escassez e criatividade

por thaís serafini

“Comparo um objeto quebrado com uma estrutura socio-econômica quebrada. Como não posso influenciar a macro-estrutura de problemas dessa escala (devido à sua complexidade característica, em que uma solução muitas vezes gera novos problemas), eu afeto a micro-estrutura, consertando essas peças quebradas e/ou descartadas.”

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Scarcity e Repair is Beautiful são dois projetos bem interessantes do brasileiro Paulo Goldstein (que orgulho!). Além da criatividade poética das peças, as inspirações e palavras do designer fazem muito sentido. Os objetos foram construídos com pedaços de outros objetos que estavam em desuso, muitos encontrados nas ruas de Londres, onde Paulo vive.

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“Ambos os projetos tem também como pano de fundo a sustentabilidade, o apego emocional, o trabalho manual, o desejo de controle ao alcance das mãos, o ativismo e comentários sobre consumismo, entre outras coisas.”

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via Bamboonet.com.br

junho 20, 2012

Mais de Gucci + sustentabilidade

por thaís serafini

Lembram da linha de óculos biodegradáveis que apareceram por aqui há pouco tempo? Pois a grife italiana tem investido em lançar outros produtos sustentáveis além deles, como a Sustainable Soles.

As sapatilhas e tênis são feitos (também) de plástico biodegradável e foram projetados por Frida Giannini, creative director da Gucci. O modelo masculino inclui ainda a utilização de solas de “bio-borracha”, “biocadarços” e etiquetas impressas em poliestireno reciclado, ufa!

 

 

O pessoal por lá definiu assim “Este novo projeto transmite a missão da casa de interpretar de modo responsável o desejo do consumidor moderno por produtos de moda que sejam sustentáveis, mantendo também o equilíbrio entre valores atemporais de estilo e qualidade superior com uma visão cada vez mais verde.” A teoria é linda e a iniciativa também, porém… O design talvez ainda esteja um pouco longe do que podemos considerar desejável-como-só-Gucci-pode-ser, não?

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junho 7, 2012

Gucci e a sustentabilidade

por thaís serafini

É impossível escrever sobre design hoje em dia sem viver falando de sustentabilidade. Ou pelo menos de soluções mais ou menos eficazes, mais ou menos honestas, ou do que poderia ser um design capaz de minimizar os danos ao meio-ambiente no caos que a gente sente viver. Por isso volto com o papo de materiais e produtos de tecnologia inovadora, porém de um ponto-de-vista muito mais positivo e abrangente.

Eu sequer sabia que a Gucci havia feito um comprometimento oficial com o meio-ambiente, portanto me surpreendi muito com essa linha de óculos biodegradáveis. A mágica seria a “madeira líquida“, um material biodegradável que nunca foi usado neste segmento. Trata-se de uma composição de bio-materiais, como a fibra de madeira retirada de florestas de manejo sustentável, linho do processo de fabricação do papel e cera natural.

Além disso, as embalagens serão ecofriendly, ou seja, 100% feitas de materiais certificados pelo FSC. A marca já utilizada embalagens sustentáveis desde 2010 e agora irá estender à linha de óculos. As novas embalagens também foram projetadas para minimizar espaço de estocagem, reduzindo em 60% a emissão de CO2 no transporte.

No protótipo divulgado recentemente dá pra perceber bem forte os traços inspirados na natureza, através das formas de plantas como o bambu na sua estrutura. O selo internacional Mobius Loop (nome chique pro nosso conhecido símbolo) certifica o material reciclável, enquanto nós aplaudimos (e desejamos, né?).

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junho 7, 2012

Starck entre o reciclável, o reciclado e a fama das cadeiras

por thaís serafini

Alguém ainda consegue argumentar com o designer mais estrela dos nosso tempos? Alguém que diz que o mundo precisa produzir e consumir menos mas continua engordando o bolso com projetos de grife? Ok ok, críticas à parte, longe de mim desmerecer o designer Starck e o que ele tem representando – quando é para o bem dos outros designers também.

Agora fico aqui me perguntando se fazem anos demais que acabei a faculdade e parei de estudar materiais e fabricação e posso ter esquecido detalhes, ou se o Mr. Philippe é realmente muito espertinho e pretende me dar um nó com essa história de cadeira sustentável.

A parceria com a Emeco realmente parece ser valiosa (tem mais aqui) para uma empresa importante que estava por afundar de tanto fabricar sempre a mesma cadeira. Mas a intenção por aqui é, na verdade, discutir o quanto de positivo tem no lançamento da cadeira Broom e quanto disso é marketing (ou desconhecimento meu?).

A cadeira Broom teria levado 10 anos de estudo para chegar à fórmula perfeita de um material capaz de criar a cadeira completamente reciclada. Sem desmerecer o esforço tecnólogico de empresas parceiras como a BASF, é importante diferenciar que o material criado é reciclado, porém dificilmente será reciclável.

O uso de serragem com adição de um polímero cria um compósito, a união de diferentes materiais mas que dificulta processos seguintes pois a sua ‘separação’ é quase impossível. Segundo fontes mais confiáveis: “Em razão de sua flexibilidade, os plásticos comuns podem ser facilmente moídos e reprocessados, sendo um dos exemplos mais claros a reciclagem de garrafas PET. Os compósitos, ao contrário, são rígidos em razão da maior complexidade em sua formação química, com ligações cruzadas que dificultam o seu processamento.”

E sabe o Starck tem a dizer a respeito deste “pequeno” detalhe? “Starck acredita que reciclagem foi uma grande mentira que as pessoas do marketing criaram para convencer o público a consumir e jogar fora. Ele acredita que se você tem a tradição de fabricar algo bem, você nunca irá precisar reciclar as coisas”.

O ideal seria, realmente, poder pensar em produtos com laços suficientemente fortes (entre outras características muito importantes) que incentivem o seu usuário a não descartá-las tão facilmente. Porém me parece não muito honesto da parte de um designer divulgar apenas uma parcela de toda a sua atividade projetual, a parcela que mais convém para chamar exatamente a atenção da mídia. Não chegamos ainda à utopia de poder criar produtos sem pensar no seu possível fim.


maio 22, 2012

Testando a luminária solar IKEA

por thaís serafini

Quando algum produto aparece cheio de promessas e milagres, a primeira ação é sempre desconfiar – principalmente quando este se intitula “sustentável“. Por isso fiquei feliz de ver a review de um produto que me deixava curiosa, de uma marca que admiro, direto de um blog com respaldo para opinar.

A Sunnan Solar-powered Desk Lamp é uma luminária elegante e minimalista que utiliza a energia solar para gerar luz em seu LED. De cara a luminária é capaz de conquistar os pão-duros mais queridos: o precinho é mais-que-amigo ( $19,99) e para cada luminária vendida a IKEA e UNICEF doam outra para uma criança de um campo refugiado ou de uma vila que não possui eletricidade.

O painel solar, além de conter 3 pilhas AA recarregáveis, pode ser destacado da estrutura da luminária para ser colocado em um ponto da casa onde o sol tenha mais força. Os autores do blog descobriram que mesmo 7 de horas de um dia não tão ensolarado garantem iluminação por quase 4hs, melhor até mesmo que dados da própria IKEA que dizia serem necessárias 12 horas de sol para recarregar a Sunnan.

 Depois de tantas constatações positivas, um comentário sobre a potência da luz: apesar de a fabricante avisar que a luz é apenas suficiente para ler ou escrever por perto, a sugestão dos autores da crítica é simples: “não deixe sua mãe te ver lendo com uma luz fraca assim!”

Eu decidi que compraria sim a minha SUNNAN, pois objetos que utilizam a energia solar com sucesso me encantam mesmo à distância (porque por aqui eles ainda não são realidade, mas é só por enquanto!).


Read more: PRODUCT REVIEW: Inhabitat Tries Out Ikea’s Solar-Powered Sunnan Lamp | Inhabitat – Sustainable Design Innovation, Eco Architecture, Green Building

maio 17, 2012

Cadeira de Coca-Cola

por thaís serafini

Sempre me pergunto o quanto de verdade tem nas “ações sustentáveis” que as grandes empresas adoram propagar. Por isso gosto de destacar aqui iniciativas e produtos que, de alguma maneira, conseguem comprovam o que andam fazendo (pode-se dizer que é honestamente?).

A gigante indústria química BASF está fazendo uma makeover na sua sede americana trazendo soluções mais ecológicas, entre elas está uma particularmente pop. A empresa trabalha com a produção de latas e garrafas da Coca-Cola e decidiu recriar uma cadeira ícone de design, a Emeco Navy Chair, reciclando o material que produz.

Foram utilizadas 111 garrafas plásticas de Coca-Cola para esta nova versão, reforçadas com fibra de vidro para garantir a rigidez da peça. A Emeco 1006 Navy Chair foi criada em 1944 e já vendeu mais de um milhão de exemplares, tendo sido criada na época para ser utilizada pela marinha americana. Devido a sua forma elegante e minimalista, a Navy Chair tem sido alvo de um revival por parte de designers famosos no mundo todo.

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