Posts tagged ‘#tendência’

agosto 16, 2012

O Brasil no divã do futuro, segundo o Future Concept Lab

por thaís serafini

Entre tantos profissionais, studios, agência, portais fazendo pesquisa de tendências – termo que já está conquistando uma certa antipatia – não são muito frequentes as vezes em que leio algo que realmente me parece realista. Desde as ultra-macro-hiper tendências até as cores que vão bombar na próxima estação, pouco conteúdo bom acaba chegando aos não-assinantes de serviços (como eu).

Uma entrevista do FFW com o grupo italiano Future Concept Lab me chamou a atenção e faz sentido compartilhar um pouco aqui e aconselhar que se leia também o conteúdo lá na íntegra. A opinião dos profissionais italianos sobre o Brasil hoje e no futuro é bem valiosa e construtiva, fazendo a gente entender muitas coisas que percebemos mas não sabemos conceituar:

“No geral o Brasil vive um grande caos que pode ser muito frutífero. De um lado aquele impulso pela modernidade clássica, que quer dizer o consumo clássico, o luxo, as marcas, isso tem e não se pode dizer que não tem. Ao mesmo tempo os brasileiros recebem estímulos dos novos valores, da sustentabilidade, da naturalidade, da proximidade ao próprio território. […] Acho que o Brasil pode sim chegar a todos esses novos valores, mas nada vai acontecer de um modo linear, vai ser muito caótico, o que é também belo. As empresas precisam aprender a conceituar tudo isso que está acontecendo, não apenas participar das grandes tendências. Por isso inclusive que pedem nossa consultoria.

É difícil para a indústria conceituar esse futuro porque são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo?

Francesco Morace: Sim. Aqui na Europa foi tudo mais claro e mais lento. É mais simples para nós enxergar linearmente qual foi o fashion system dos anos 80, o design dos anos 90, os anos 2000… No Brasil é tudo agora, tudo junto. É muito mais complicado, mas muito mais fascinante! Sinto-me seguro pra dizer que tudo isso o que virá é o futuro. Por um salto de qualidade das pessoas. O importante é organizar um sistema de instrução que seja à altura do que é o país. Porque hoje em dia isso não tem no Brasil. A escola. Hoje existem as escolas privadas, mas as escolas públicas não são como na Itália, que são ainda melhores que as privadas. Quando o Brasil tiver boas escolas, vai ser o país do futuro.”

Em tempo: Francesco Morace vai estar em São Paulo no dia 30 deste mês para um workshop mega interessante e mega salgado. Caso alguém saiba de uma bolsa-palestra ou auxílio-workshops-internacionais, estou muito interessada ;)

junho 19, 2012

Macrotendência > Living Design

por thaís serafini

Pra quem perdeu, aí vai a análise interessante da Living Design, uma das macrotendências Outono/Inverno 2013-2014 da WGSN:

As outras macrotendências para esse período são Hack-tivate e 21st Romance, igualmente bonitas, apresentadas aqui.

maio 15, 2012

A geração pop-up

por thaís serafini

Gosto de acompanhar as previsões e análises da Lidewij Edelkoort porque geralmente me deixam pensando muito, despertam algum tipo de sentimento, seja estranheza pelo que vem ou identificação com o presente, mas quase sempre é admiração. Este video  é a apresentação de uma mostra que acabou mês passado Museum of Image, desenvolvida pela trendforecaster, chamada The Pop-up Generation. É uma pena que o evento foi longe e já passou, mas a análise de Li é bem interessante:

“Esta exposição é dedicada ao que eu chamo de Pop-up Generation. É a geração atual de designers, artistas e outros criativos que atuam em algum lugar entre a segunda e a terceira dimensão. Eles nasceram rodeados por telas, primeiro a tela da tevê, depois a tela do computador e dos jogos, hoje todos os pods e pads. Então, eles foram educados através de telas planas, da segunda dimensão, mas ao mesmo tempo eles projetam formas em três dimensões. No trabalho deles você pode ver que mesmo trabalhando no plano eles conseguem ver as dimensões, assim como quando eles olham pras dimenões conseguem ver o seu plano, o achatamento.

Eu tenho a ideia de que eles estão vivendo em duas dimensões e meia. Como um livro pop-up eles se movem com rapidez e flexibilidade entre as várias dimensões.”  

(O assunto rendeu também o livro The Pop-up Generation de autoria da Edelkoort)

fevereiro 25, 2012

Tendência 2012 ou evolução 2011?

por thaís serafini

Eu sei que a palavra tendência cansa, gera ansiedade, que é abstrata, repetitiva, às vezes overrated, mas ainda é importante e parece a maneira com quem temos tentado controlar e entender nossa vida frenética e nosso futuro. Isso justifica o trecho traduzido a seguir, direto da cobertura da feira de design Maison et Objet, que diz tão pouco mas levanta boas questões:

“Eu não estou completamente convencida de que houveram muitas novas tendências em destaque; eram mais continuações e evoluções de tendências existentes. Os ‘lançamentos de novos produtos’ eram geralmente um produto que já existia em um novo acabamento ao invés de algo completamente novo. Se isso deve-se ao nervosismo causado pelo atual clima econômico, ao fato de as pessoas estarem ‘segurando’ as coisas revolucionárias para o Salone em Milão em abril, ou se é só porque as tendências de 2011 eram tão boas que vieram para ficar, quem vai saber?”

 

janeiro 12, 2012

Li Edelkoort e a crise

por thaís serafini

“Com a crise econômica, vamos passar mais tempo em casa e nos dedicar mais às pessoas próximas. Será uma volta ao nosso interior, à nossa cozinha e mesmo à própria cama, que deixa de ser somente um lugar de descanso para se tornar um espaço social, de jogos, cinema e música. A crise será, de certa maneira, benéfica ao universo da casa e do design. O lar é nosso refúgio, e é nele que vamos investir.”

Um das tendências para o design apontadas pela super expert holandesa.

 

abril 14, 2011

Nostalgia?

por thaís serafini

Em uma das suas últimas newsletters, a LS:N Global, empresa que estuda estilos de vida, mudanças de mercado, consumidores, novas tribos, tendências e assim por diante, publicou um teaser do que seria o report sobre a trend chamada “Beyond nostalgia“. Como não sou assinante e portanto não tenho acesso ao conteúdo completo (infelizmente), divido a parte inicial, que na verdade para mim já diz muito e lança algumas reflexões importantes: porque o vintage e o antigo ganharam tanto destaque? Estamos copiando ou apenas nos redescobrindo? Trata-se de valorização e respeito ao passado ou falta de criatividade e de uma identidade própria contemporânea?

“Nos setores de alimentação, bebidas, arte e design, mais do que uma nostalgia com o passado, alguns ‘revivalistas’ estão cavando fundo, voltando ainda mais no tempo e na cultura. Eles estão redescobrindo habilidades antigas esquecidas, ofícios, receitas e materiais.”