agosto 25, 2016

Tecnologia e design para escolher eletrônicos na Internet

por thaís serafini

Hoje em dia a Internet faz tudo parecer tão fácil e acessível mas, mesmo assim, ainda nos deparamos com situações online trabalhosas e nada inteligentes. Pesquisar um eletrônico novo para comprar é uma delas, para mim. E é por isso que essa proposta me parece tão valiosa.

Comprar uma TV, notebook ou smartphone novo pode se tornar um processo bem complexo. Semanas pesquisando em sites variados, tentando entender as características dos modelos, as ofertas, o que é lançamento, o que é importante e o que não é. Depois aquele clássico momento em que acionamos os amigos / conhecidos / familiares mais nerds ou entendidos de tecnologia para pedir conselhos do que devemos comprar. Geralmente são indicações do tipo de produto que funcionou para eles e não necessariamente para nós.

E aí voltamos àquela coleção de tantos links para tentar decidir. E não é raro que o produto escolhido, depois de tudo, ainda seja incapaz de atender o que precisávamos ou que tenha sido mais caro do que podíamos pagar.

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A beleza do Assistente de Compras Shoptutor está aí: a startup criou um algoritmo próprio para recomendar o modelo exato que tem maior afinidade com cada pessoa. Não se trata de uma recomendação por conveniência de uma loja, não é orientada somente por preço e por novos lançamentos.

São as informações indicadas pelo consumidor – em umas perguntinhas interativas bem simples – que guiam essa recomendação. Na tela de resultado dá para entender o porquê da recomendação, os destaques do modelo, ver as ofertas dos principais e-commerces e ir direto finalizar a compra.

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Consumir de forma mais consciente começa por escolher um produto que atenda a necessidade própria, não imposto pelas conveniências do mercado. E economizar também começa por aí, afinal, nem sempre o produto “melhor” é o mais caro. E economizar tempo hoje em dia é tão importante quanto economizar recursos financeiros. Se deixamos de perder tempo lendo fichas técnicas, avaliando e fazendo mil comparativos para escolher um eletrônico, temos mais tempo para coisas importantes, como assistir um filme bem acompanhado :)

Sempre acreditei que o real potencial da tecnologia está em soluções como esta, que tem na sua essência o objetivo de podemos facilitar a vida, tendo o usuário como ponto inicial.

novembro 27, 2015

O coração da Vitra

por thaís serafini

Em julho deste ano, durante um verão especialmente quente, tive a sorte de poder conhecer um santuário dos designers. Em Wil am Rhein (cidadezinha alemã mas que fica quase em Basiléia, Suíça), está o Vitra Campus, coração fabril, cultural e inspirador da Vitra, uma das empresas de mobiliário mais admiradas do mundo.

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O local de produção da Vitra se transformou, nas últimas décadas, em uma coleção de construções de arquitetos renomados, como Tadao Ando, Zaha Hadid, Herzog & de Meuron, Frank Gehry e por aí vai. E  existe até mesmo um domo de Richard Buckminster Fuller! Esses prédios abrigam um museu, uma ‘casa’ que serve como showroom da marca, a própria fábrica… A área é imensa, mas não se engane, cada detalhe foi cuidadosamente planejado para fazer parte da experiência. As cadeiras no pátio são lançamentos do Grcic, a parada de ônibus que fica na estrada de acesso é assinada por Jasper Morrison, a rua se chama Ray-Eames Strasse…

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As imagens a seguir são da VitraHaus, esse prédio impressionante de 2010, que abriga T-O-D-A a coleção da Vitra. E você pode sentar, explorar os ambientes, mexer, tocar, ver o preço, encomendar uma peça, conhecer os materiais, se inspirar com as mil cores e com a paisagem exuberante que foi majestosamente incorporada em diversos espaços.

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E eis a cereja do bolo, pra mim: existe um atelier dentro da Vitra Haus, no qual um artesão simpático trabalha montando a clássica Lounge Chair & Ottoman de Charles e Ray Eames (de 1956). E aí que tudo se encaixa (literalmente). As peças de madeira, os estofados em couro, cada parafuso, cada pé, a maestria artesanal, a excelência dos materiais, o respeito à história e a gentileza de compartilhar com os milhares de visitantes uma parte importante da fabricação deste ícone.

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Se você tiver a chance de passar pela região, não deixe de visitar. De Basiléia, o acesso pode ser feito em um ônibus de linha normal, que cruza a fronteira, passa pela aduana deixa os visitantes em uma parada bem na frente da Vitra. Só é preciso comprar um bilhete diferente, no ônibus mesmo. Reserva algumas horas. Leve a excursão, a família, vá sozinha/o… É de encher os olhos!

novembro 6, 2015

A organização dos objetos, da casa e da vida

por thaís serafini

Esse livro me cativou pela promessa (que geralmente é ilusória) de uma super fórmula pra resolver algo na vida. Nesse caso, a organização da casa através do método inventado pela autora japonesa. Além disso, o livro é best-seller, tem uma capa linda e poucas páginas. Mas, no final das contas, o que mais me surpreendeu foi a perspectiva racional & emocional que a Marie Kondo apresenta sobre a nossa relação com os objetos:

“Nossos pertences descrevem com precisão o histórico das decisões que tomamos na vida. Organizar é um modo de fazer um inventário que nos faz ver aquilo de que realmente gostamos.”

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O tal método é radical porém subjetivo pois usa os sentimentos como parâmetro para tomada de decisões: a ideia é começar pelo descarte de tudo o que não te faz sentir bem (através de um processo de análise individual em que cada peça deve ser tocada) para eliminar o excesso (o grande causador da bagunça) e só então organize os pertences, tendo sempre em mente o estilo de vida que se quer conquistar com a organização da própria casa, pois “a organização é uma ferramenta e não um objetivo final”.

Sem querer querendo, o livro vai contra o consumismo maluco e defende a consciência usando um tom muito prático e intimista. Isso acontece porque, para colocar o método em prática, a pessoa deve criar uma relação de gratidão, cuidado e atenção especial com cada objeto que escolhe ter ao seu redor e novas aquisições são feitas somente quando necessário. E, pasmem, o recurso de organização preferido da especialista é a caixa de sapatos (!). Além disso, ela traz um modo de pensar que defende encontrar satisfação com menos:

O seu espaço é do tamanho ideal para você, pode acreditar. Perdi a conta das vezes em que ouvi reclamações sobre falta de espaço. Contudo, até hoje ainda não estive numa casa que não tivesse espaço suficiente para guardar os pertences dos moradores. O problema é que temos muito mais coisas do que precisamos ou queremos. Se você aprender a escolher seus pertences adequadamente, ficará apenas com o volume que cabe perfeitamente na sua casa, não importa o tamanho que ela tenha. Esta é a verdadeira mágica da organização”.

Usando histórias de clientes como exemplos e compartilhando a obsessão que vem desde a infância, Marie vai desvendando vários tipos de situações, como as mães recicladoras, as roupas de usar em casa, as pilhas de livros a serem lidos, as caixas de fotografia, dando dicas que vão desde a melhor maneira de dobrar roupas até como tratar suas meias com respeito e a importância de saudar a sua casa e colocar a sua bolsa vazia pra descansar.

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“O fato de possuir um excesso de coisas de que não consegue se desfazer não significa que você está cuidando bem delas. Na realidade, está fazendo exatamente o contrário. Quando reduz o volume de pertences a uma quantidade com a qual consiga lidar, você revitaliza sua relação com cada um deles.”

Eu ainda não testei o KonMari, confesso, pois a regra é fazer tudo de uma vez só, toda a casa, todos os cômodas, armários, gavetas para que a sensação seja impactante a ponto de a bagunça não voltar. Mas a leitura já está me inspirando muito nessa jornada de autoconhecimento através das minhas coisas e da minha casa!

“A decisão sobre os objetos que você quer manter é, na realidade, uma definição sobre que tipo de vida deseja viver.”

Marie Kondo: A mágica da arrumação. A arte japonesa de colocar ordem na sua vida e na sua vida.

novembro 5, 2015

Inovações de 2015

por thaís serafini

O ano vai chegando ao fim e as listas de melhores/piores começam a pipocar… Nesse caso, compartilho aqui algumas das “40 inovações mais excitantes de 2015” da lista do TechInsider por serem novidades bem humanas e valiosas (pelo menos, a maioria) e fogem um pouco daquela coisa muito high tech ou do “novo pelo novo”.

Aqui você encontra a lista completa e informações sobre cada uma, recomendo a leitura.

IKEA e os refugiados

Os abrigos para refugiados projetados pela fundação IKEA e a ONU estão sendo distribuídos em campos por todo o planeta (devem chegar a 10 mil ainda esse ano). O objetivo é facilitar a instalação e organização das pessoas em meio ao caos da imigração que nos comoveu e tomou proporções inimagináveis nesse ano. A estrutura é dobrável, tem alimentação de energia solar, leva quatro horas pra ser montada, acomoda cinco pessoas, pode durar até 3 anos e é modular para que os abrigos possam ser montados juntos e configurados conforme a necessidade e do local.ikea

 

O computador de 9 dólares

Basta conectar um monitor, um teclado, um mouse e pronto: o primeiro computador do mundo a custar tão barato está pronto pra funcionar e fazer de tudo, desde trabalhar em documentos a ajudar a programar. O Chip é um mini-PC que usa Linux e foi criado pela Next Thing Co., que já enviou as primeiras unidades para os apoiadores da empresa no Kickstarter.9d-pc

 

Tesla Showerhead

Parece bobagem colocar um chuveiro aqui, junto com tantas coisas realmente importantes. Mas e se eu disser que o Nebia, além de lindo, é um sistema super tecnológico capaz de otimizar a eficiência, ampliar a área de alcance dos jatos e ainda economizar 70% da água usada em chuveiros tradicionais? Pois é. Esse modelo arrecadou 3 milhões (!!) na sua campanha no Kickstarter e começa a ser vendido por US$ 349 no ano que vem.nebia

 

A primeira droga feita em uma impressora 3D

A impressão 3D não é novidade para os designers mas o potencial dessa tecnologia, que se amplia a cada dia, é sempre impressionante. Pois a primeira droga prescrita e aprovada pelo FDA é uma pílula para convulsões decorrentes da epilepsia. Especialistas acreditam que a tecnologia vai revolucionar o mundo farmacêutico, já que vai ser possível criar drogas altamente customizadas e que a diminuição no custo vai facilitar o acesso a tratamentos nos países em desenvolvimento. No caso da Spritam, o benefício é que a pílula é porosa e se dissolve mais facilmente, algo muito importante no caso de uma convulsão.3d-drug

 

outubro 28, 2015

Criatividade & Medo

por thaís serafini

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Para muitas pessoas, se expressar de maneira criativa é natural e fácil. Para outras, é o ponto de encontro de muitos medos. O terror da folha em branco é um velho conhecido de muitos…

Parece loucura relacionar criatividade com medo, mas faz muito sentido. Na sua coluna mais recente, Oliver Burkeman levantou o assunto ao falar do Big Magic, livro novo da Elizabeth Gilbert (sim, a mesma do ‘Comer, Rezar e Amar’) sobre criatividade. Para Burkeman, a atividade criativa é assustadora por diversos motivos, que acompanham muitos de nós: medo de ser ridículo, medo do julgamento, medo de descobrir que não temos talento… Na infância, pais e professores muitas vezes sufocam iniciativas ditas criativas das crianças e existem inclusive teorias que sugerem que a dificuldade de ser criativo e inventar algo novo faz parte do percurso evolutivo do ser humano – a inventividade não se mostra muito produtiva em momentos de luta pela sobrevivência.

Se a expressão criativa pode ser associada ao medo, surge então a questão: como podemos nos tornar mais criativos, mais livres e menos medrosos?

E aqui ressurge a proposta do livro Big Magic, citado lá no início:

“Por mais que possa parecer banal, prefiro a abordagem de Gilbert, que essencialmente consiste no tratar o medo como uma irmãzinha menor ou um animal doméstico que nós amamos mesmo que coloque em prova nossa paciência.

O truque, para quem consegue, não é ignora-lo, ou supera-lo sem ouvir os seus conselhos, mas sim dar espaço a ele. Gilbert usa a antiga e útil analogia da viagem de carro: o medo viaja sempre com nós, e tudo bem, mas não significa que devemos dar a ele o volante.”

 

outubro 27, 2015

Algoritmos, biologia e o design

por thaís serafini

Paola Antonelli, em entrevista para a italiana Rivista Studio, conta o que imagina como as fronteiras do futuro para o design:

“No começo do verão anunciamos novas aquisições [no MoMa]: um rendering digital e dois modelos impressos em 3D do vírus Phi-X174, inócuo para os humanos mas capaz de destruir as células de uma bactéria muito difusa. E depois adquirimos uma série de três esculturas de design que são fruto do trabalho comum de um célebre tecelão de cestos tradicionais dos nativos americanos e de um studio de designer que desenvolveram algoritmos digitais. Nós realmente compramos algoritmos e entidades biológicas: é um pouco incomum para o nosso setor, mas é um trabalho que levamos adiante faz alguns anos, desde 2008 quando compramos interfaces. Simplesmente estamos tentando fazer o mundo entender que o design expandiu muito a própria área de atividade, de estudo e de influência. O nosso dever é fazer com que as instituições culturais também acompanhem esta transformação contínua.

(…)

Eu penso que os designers, quando são bons, funcionam como interface entre as revoluções científicas e tecnológicas e a nossa vida. A inovação verdadeira não pode acontecer sem o design, porque os cientistas podem descobrir as microondas, podem inventar a Internet, mas sem os designers que criam a interface ou desenham os fornos, todas essas inovações não teriam vida. Então, quanto mais enfrentamos mudanças que provocam, mais os designers se tornam fundamentais.”

Entrevista completa aqui.